FRASES QUE MARCAM

“Assim como as paixões, violentas ou não, jamais devem ser expressas de forma a produzir asco, a música ainda que nas situações mais terríveis, nunca deve ofender o ouvido, mas agradar; continuar a ser música enfim” (Wolfgang Amadeus Mozart).

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

A MÚSICA NA IGREJA DA PÓS-MODERNIDADE

1. INTRODUÇÃO

“A música é a voz harmoniosa da criação; um eco do mundo invisível; uma nota de concordância divina, que o mundo inteiro entoará um dia”.
(Giuseppe Mozzine)

A música sensibiliza, inspira, distrai, glorifica, é capaz de amenizar os problemas que angustiam a alma, nos remete a acontecimentos que tenham ocorrido em nossa vida, quer sejam positivos, quer sejam negativos. Ás vezes ela nos cerca e se impõe sobre nós: as propagandas nas suas mais variadas formas, tem nos levado a um encontro com algum tipo de música, nem sempre agradável. Outras vezes, ela é nossa opção, nos faz bem ouvi-la visto que, nos reanima, nos distrai e, até mesmo nos ajuda naqueles momentos em que precisamos chorar.

A música atua em todos os setores da vida humana, tem contribuído para a integração social e para fazer conhecida a cultura das civilizações através dos séculos; ela age envolvendo de uma forma singular cada parte da vida, isto é, ela passa pelo físico chegando ao emocional e até ao espiritual.

Fisicamente, a música influi para o desenvolvimento da saúde, o canto fortalece os pulmões e órgãos respiratórios, dentre outros benefícios que pode trazer; a musicoterapia já é usada há muito tempo, a Bíblia relata um bom exemplo de cura pela música.

Saul provavelmente sofria de hipocondria ou esquizofrenia, ou talvez, ambos, o que foi relatado como espírito maligno (todo fenômeno que fugia ao controle humano era atribuído à ação de um “espírito”). Então quando Saul sofria alguma crise, Davi era chamado para tocar sua harpa e o rei se sentia aliviado (ROCHA, 1993 p. 10).

Emocionalmente a música nos alivia das tensões e ansiedades, muitas vezes podemos expressar os nossos sentimentos cantando, principalmente a alegria, Tiago nos recomenda: “Está alguém alegre? Cante louvores” (Tg. 5:3).

Na esfera espiritual a música ocupa lugar importante nas manifestações religiosas, a qual muitas vezes não tem sido muito melodiosa, ela é usada para expressar a devoção dos religiosos que dela se utilizam.

Nessa perspectiva, queremos analisar e entender a música no contexto da igreja evangélica atual, como ela tem sido utilizada, qual seria a melhor forma de encará-la e quais as influências por ela sofridas ao longo do tempo.

2. A ORIGEM DA MÚSICA

Não podemos precisar com absoluta certeza em que época e local surgiu a música. Não existem fontes literárias suficientes que nos possa dar essa informação com exatidão, isso porque a história silenciou quanto a esse aspecto e por que sua origem se distanciou de memórias gráficas.

Uma coisa, porém e certa, O Senhor nosso Deus não nos deixou na dependência de meras suposições, Ele em sua infinita sabedoria moveu seus escolhidos para deixar registrado em sua Palavra onde a música teve sua origem.

Segundo Coelho (2008, p. 7): A música já existia na mente e no coração de Deus de maneira plena e consistente, e tenho certeza de que tudo que conhecemos não se aproxima do que Deus planejou. Ainda estamos no “cantochão da música” divina.

No livro de Jó, no capítulo 38 encontramos o seguinte diálogo entre Deus e Jó: Sobre que estão fundadas as suas bases (da terra), ou quem assentou a sua pedra de esquina, quando as estrelas da alva juntas alegremente cantavam e todos os filhos de Deus rejubilavam? (vv. 6-7). Podemos perceber nas palavras de Deus aqui registradas que a música já existia mesmo antes da fundação do mundo, assim, podemos concluir que a música tem sua origem no céu, Deus criou a música e a primeira apresentação musical se deu em um palco celestial.

3. A MÚSICA NA BÍBLIA

A Bíblia não nos fornece regras específicas ou um capítulo exclusivamente sobre música. Assim, para compreendermos o uso da música do ponto de vista bíblico, teremos que perceber as informações ao longo do percurso, conforme nos deparamos com os vários eventos e acontecimentos na vida de Israel.

A música na Bíblia sempre acompanha um evento. Ela não é vista como uma ocupação a ser perseguida por si mesma, simplesmente para o deleite pessoal, mas ela é sempre funcional. Como diz Doukhan (2002):

Vez após vez os Salmos acentuam o fato de que a música não é executada para o deleite e entretenimento do músico ou da platéia, mas sim como uma homenagem dirigida a Deus. A razão de ser do músico na Bíblia é falar acerca de Deus e fazer música dirigida a Deus.

Baseamos nossa fé única e exclusivamente na Sagrada Escritura a Bíblia, ela é “nossa regra de fé e prática”, assim é dela que devemos partir em busca de instruções acerca dos estilos de músicas que devemos usar na casa de Deus.

3.1. A Música no Antigo Testamento

No livro de Gênesis achamos o registro da origem da música na terra: “E o nome de seu irmão era Jubal; este foi o pai de todos os que tocam harpa e órgão” (Gn 4.21). Em deuteronômio, no capítulo 31 encontramos Deus falando para Moisés:

“Escrevei para vós outros este cântico e ensinai-o aos filhos de Israel, ponde-o na sua boca, para que este cântico me seja por testemunha contra os filhos de Israel. (...) e quando tiverem alcançado muitos males e angústias então este cântico responderá contra ele por testemunha”.

e ainda no capítulo 32 está registrado o seu cântico:

Como já vimos no livro de Jó, no qual Deus faz alguns questionamentos a seu servo, mencionando aí o fato de “as estrelas da alva alegremente cantavam e todos os filhos de Deus rejubilavam”.

Encontramos ainda sobre a música no Antigo testamento como Davi contribuiu de maneira significativa para a música no culto cristão (II Cr. 29:25), sendo ele músico e conhecedor do valor da música na vida do seu povo e da religião, passou a desenvolvê-la em termos de ministério, ele mesmo criou técnicas para a fabricação de instrumentos e promoveu o uso de tais instrumentos adaptados ao acompanhamento do canto (I Cr. 15:21) e ainda, juntamente com Quenanias e outras pessoas, desenvolveram técnicas do canto que até hoje são usadas nas igrejas e instituições musicais no mundo inteiro, são elas: regência de canto coletivo (Neemias 12:8); regência de cantores ou coral (Ne. 12:42).

Os princípios de utilização da música no culto estão firmados na experiência musical do povo de Israel. Deus mesmo estabeleceu esses princípios e indicou a Tribo de Levi para conduzir o povo nesse ministério (Nm. 3:5-10). Os levitas levaram muito a sério suas funções (I Cr. 9:33; 15:22; 25:6-8), as quais continuaram depois que o Templo foi construído no reinado de Salomão como também, após o exílio e o retorno a Jerusalém (Ne. 7:1-73).

A história dos judeus contém inúmeros acontecimentos em que a música desempenha relevante papel, desde as muralhas de Jericó que caíram ao toque da trombeta, até o cuidado dispensado à música do grande templo de Jerusalém... Esse povo, que mostrava inclinação para a escultura e pintura e a quem era proibido representar a Deus por imagens, concentrou toda a sua força criadora na poesia e na música que serviam por excelência à religião (PAHLAN, p. 23).

No Antigo testamento estão registrados vários cânticos de servos de Deus: O cântico de Mirian, o cântico de Ana e o cântico de Moisés o qual já foi mencionado. E o que dizer do livro de Salmos, é o registro histórico da herança musical dos judeus, nos aconselha a cantá-los, como podemos citar alguns dos muitos exemplos: “celebremo-lo com salmos” 95.2; “Cantai-lhe, cantai-lhe salmos” (105.2); “Entrai pelas portas dele com louvor e em seus átrios com hinos; louvai- e bendizei o seu nome” (100.4).

3.2. A Música no Novo Testamento

No novo testamento também encontramos passagens onde a música é valorizada e desempenha papel fundamental. O próprio Jesus valorizou a música como parte do culto a Deus, como podemos ver relatado em Mateus 26:30, quando Ele e seus discípulos cantaram um hino na celebração da páscoa.

Quando os apóstolos Paulo e Silas foram presos e açoitados em Filipos, apesar de estarem passando por uma situação desfavorável eles oravam e cantavam à Deus (At. 16:25). O louvor entoado por esses dois missionários surtiu um grande efeito, primeiramente fazendo com que estivessem em contato com Deus, em comunhão com o Pai, o que lhes trazia gozo na tribulação; e também servia de testemunho para os outros presos, que os ouviam orar e cantar a Deus como sinal de uma alegria interior (ROCHA , 1993 p. 11)

O próprio apóstolo Paulo nos impele a louvar a Deus com salmos e cânticos espirituais, se não vejamos o que ele diz em algumas passagens das cartas que escreveu: “Cantando e salmodiando ao Senhor com graça em vosso coração” (Ef. 3.10); “... salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando com graça em vosso coração” (Cl. 3.16). Na epístola de Tiago encontramos uma recomendação acerca da música: “Está alguém alegre? Cante louvores” (Tg. 5:3).

As principais características da música dos judeus eram o seu alto nível técnico e a finalidade única de glorificação a Deus e a proclamação de seus feitos, um grande exemplo a ser seguido.

4. A MÚSICA NA IGREJA CONTEMPORÂNEA

Não podemos ignorar que um processo de renovação no uso da musica na igreja está acontecendo, e isso desde os tempos bíblicos. Vários textos falam de ocasiões em o povo cantou algo novo a Deus, tome como exemplo o cântico de Miriam, o cântico de Maria, dentre outros, e é importante lembrar que a compreensão desses cânticos só se dará a partir do seu contexto histórico, porém, o seu objetivo foi unicamente exaltar a Deus e os seus feitos. Baggio (2005, p. 33) diz que “somos exortados diversas vezes a apresentar a Deus canções novas, que mostrem ao povo de nossa época o que ele tem feito por nós: “Cantem-lhe uma nova canção...” (Sl 33.3); “Pôs um novo cântico na minha boca...” (Sl. 40.3)”.

Sobre este assunto, Baggio (2005 p. 32) diz também:

Tal renovação é necessária, pois os tempos e os costumes mudam, e a arte assume novas formas de expressão a cada nova geração. As verdades da Palavra de Deus são eternas, mas a aplicação das verdades deve ser feita dentro de contextos históricos que estão sempre em mutação.

As renovações musicais tem sido uma realidade muito mais hoje, em nossos dias, essas têm sido apenas maneiras de adaptar o louvor e adoração a formas de estilos musicais contemporâneos, por isso precisamos ter cautela para que a música seja utilizada de forma ordenada e unicamente para exaltação do nome de Deus. É bom lembrar o que disse Horness (2006, p.114): “os instrumentos e até mesmo o estilo de adoração não passam de ferramentas. Não são um fim em si mesmos”.

4.1. Função da Musica na Igreja

A música é um instrumento de louvor a Deus, um meio de expressão, uma força incrível capaz de exercer grandes influências não só nos seres humanos como também nos animais e nas plantas. Schimichi Zuzuki, musicólogo contemporâneo japonês, ao escrever um método de aprendizagem musical para crianças disse: “Meu propósito principal, não é o ensino da música. O que aspiro é formar bons cidadãos. Se uma criança escuta boa música, desde que nasce e aprende a executar um instrumento, adquirirá sensibilidade, disciplina, retidão e nela se formará um lindo coração”.

Para os cristãos evangélicos a música tem grande valor e seus objetivos têm aplicação mais ampla, pois sua atuação proporciona edificação, ou pelo menos deveria, e tem sido um veículo eficaz para levar o Evangelho de Jesus Cristo aos pecadores.

Quando os apóstolos Paulo e Silas foram presos e açoitados em Filipos, apesar de estarem passando por uma situação desfavorável eles oravam e cantavam a Deus (At. 16.25). o louvor entoado por esses dois missionários surtiu um grande efeito, primeiramente fazendo com que estivessem em contato com Deus, em comunhão com o Pai, o que lhes trazia gozo na tribulação; e também servia de testemunho para os outros presos, que os ouviam orar e cantar a Deus como sinal de uma alegria interior. (PAHLAN 2003, p.23)

O que torna a música, no culto, aceitável a Deus? Será a perfeição técnica de sua execução? Ou o desejo humano de satisfação pessoal? De maneira nenhuma! O que faz a música aceitável é que ela seja oferecida através de Jesus, que abriu o novo e vivo caminho para Deus através do seu sangue (Hb. 10:19-20). A música entoada na igreja deve primeiramente ser fruto de lábios que confessam Jesus como Salvador e Senhor; aquele que oferece louvor a Deus deve ser convertido, uma nova criatura em Jesus Cristo. Para Carreiro (1997, p. 12)

O objetivo do canto não é agradar pessoas, mostrar bom desempenho, fazer apresentações especiais, o objetivo do canto é apresentar a Deus o louvor digno da sua pessoa, à altura de seu caráter, conforme seus atributos, porque ele merece o melhor.

Assim, os compositores evangélicos ou as pessoas que são diretamente responsáveis pelo ministério da música na igreja devem fazer uso dela com a devida precaução e acentuado critério, a fim de evitar os exageros que comumente tem ocorrido no meio evangélico hoje. O músico cristão deve ser revestido de humildade e submissão a Deus para discernir com sabedoria que tipo de música deverá usar na igreja, tendo cuidado com os perigos da vaidade e com os apelos da mídia e da influencia do mundo pós-moderno que tem feito com que algumas músicas alcancem sucesso de público, mesmo não sendo tão agradável aos nossos ouvidos.

Vivemos de um modo geral cercados por uma grande variedade de músicas e muitas vezes nem sequer paramos para analisar se todas elas servem ao objetivo maior, o de unicamente glorificar a Deus. Para que a música na igreja cumpra o seu papel principal, ela precisa antes de tudo, ser dada pelo próprio Deus (Tg. 1:17). Isso nos dará condição de perceber o grande contraste que há entre a música dada por Deus, para glória do seu nome, e a musica profana que para nada aproveita. O que temos ouvido e cantado nas igrejas é inspirado por Deus? Está glorificando verdadeiramente a Deus e seu Filho Jesus Cristo? Contribui para nosso crescimento espiritual? Ou será que temos gasto nosso tempo com músicas sem nenhuma utilidade.

Para Coelho (2008 p. 99):

A música sacra passou a sofrer influências da musicas profanas. Houve o inicio subtração do sagrado, da singularidade, do exclusivismo ao Deus Todo-Poderoso. Houve a ausência da entrega do puro, da entrega do melhor, da dedicação do genuíno, e não pirateado, da oferta de uma jóia, e não de uma bijuteria. Enfim a adoração através da musica passou a sofrer rupturas sagradas, que vem a ser sinônimo de profanação, o que é condenável pela Bíblia.

A música, ligada à religião, desde o princípio, se mostra na Bíblia pelo uso apropriado de suas funções à serviço de Deus, através de seu povo. A igreja da atualidade tem perdido isso de vista e muitos cantores evangélicos têm produzido músicas que servem para exaltar mais ao homem e aquilo que Deus pode fazer por ele, as vitórias que Deus pode lhes conceder do que para exaltar o ser de Deus, o que Ele é. Será que não estamos, como diz Coelho (2008, p. 64), mudando ou não o foco da nossa adoração, fazendo da música um fim e não um meio de promover essa adoração? Estaríamos ou não prestando culto à musica, dispensando o único e principal objetivo que é a adoração plena e exclusiva a Deus?

Raramente ouvimos músicas que revelem a grandeza de Deus e sua essência, que mostrem a condição pecaminosa do homem e da sua necessidade de arrependimento; dificilmente se canta a necessidade de viver uma vida santa e de obediência aos mandamentos e princípios de Deus. Também dificilmente ouvimos músicas que falem do sacrifício e sofrimento de Jesus na cruz do calvário e do grande amor de Deus a humanidade, mostrando que somente através desse sacrifício o homem pode se chegar a Deus e alcançar o perdão para os seus pecados e, por conseguinte a vida eterna.

4.2. Os Ritmos na Igreja

O que dizer dos mais variados ritmos que tem adentrado à igreja, com a justificativa de que não existe música cristã, de que toda e qualquer música é aceitável, desde que a letra seja cristã, mas eu me pergunto: como prestar atenção numa letra que está inserida em um rock Heavy Metal, por exemplo, ou em uma música eletrônica, onde o apelo maior naturalmente é para a dança? Alguém porventura irá prestar atenção nessa letra e absorver daí a mensagem necessária à sua vida? Segundo Coelho (2008, p. 110):

Pesquisas no Brasil foram feitas com bandas de rock, de samba e outros ritmos, comprovando a falência dos órgãos auditivos dos seus componentes. Como é que musicas tão ritmadas, tão rebuscadas com fusas e semifusas, providas de síncopes constantes permitirão o ouvinte a perceber e viver em forma de louvor a mensagem literária nelas contidas? Quem entrará em evidência? O corpo ou a alma?

Dizer que escrever música não é nada mais do que um arranjo de notas e ritmos é a maneira simplista de considerá-la mero conjunto de sons, a música sacra é muito mais do que combinar sons para louvar a Deus; a música na igreja não pode ser tratada com displicência ou irreverência. Segundo Nassau (S/D):

Há quem acredite que a música é amoral, isto é, não é boa nem má, porque aceitam a noção humanista de que não há absolutos, nem distinções morais, nem diferenças objetivas. Segundo essas pessoas, o compositor e o executante atendem a exigências concretas: o gosto musical do público-alvo e o interesse econômico do mercado são os fatores que valorizam a música na igreja e no culto; se os crentes gostam e compram, a música é aceitável; para desencargo de consciência, dizem: desde que a letra seja cristã. Por isso, eles preferem sugerir que as igrejas experimentem música moderna (que apelidaram de "música cristã contemporânea"), sem a preocupação com os estilos, os ritmos e os instrumentos.

Entretanto, é fato incontestável: a música é um esforço e um produto do compositor e do executante, que acaba sendo verdadeiro ou falso, íntegro ou iníquo, moral ou imoral, sacro ou profano.


Muitos cristãos dizem que precisamos ser como o mundo, ter a mesma aparência, ouvir a mesma música, para podermos alcançar a juventude atual. Dizem que muitos jovens não irão ouvir o evangelho nem vir à igreja se não tivermos algo em comum com eles. Em outras palavras, estão dizendo que pregar a Palavra de Deus já não é mais suficiente. Se isso for verdade, então deveríamos abrir bares para podermos alcançar os beberrões. Deveríamos abrir lojas de artigos eróticos para atrair aqueles que consomem materiais pornográficos. Portanto, não há mal, se o resultado final for bom. Qual o problema de modernizar um pouco os padrões de santidade estabelecidos por Deus se o resultado é que almas serão salvas?


Esse tipo de raciocínio é demoníaco e os cristãos estão aceitando. A mesma Bíblia que operou com sucesso até agora, continua a operar entre jovens e idosos. Há apenas 10 ou 15 anos atrás certos tipos de música em hipótese alguma seria considerada uma forma adequada de cantar louvores a Deus. O que estamos testemunhando hoje é a decadência da qualidade da música usada nas igrejas hoje que em alguns casos tem sido fruto da decadência moral e espiritual, que está afetando os cristãos, que não têm mais discernimento entre o bem e o mal.


Misturar letra religiosa e música profana deveria deixar confuso, tanto o crente como o incrédulo, pois certamente não contribuem para o enlevo espiritual das pessoas. Identificamos as músicas a partir de sua origem, assim músicas de origem mundana, mesmo que tenham a letra modificada para algo dito "cristão", ainda assim serão músicas mundanas, com sua carga carnal. "Abstende-vos de toda a aparência do mal." (I Ts 5:22). A música é criação divina, é dom de Deus. Mas foi em parte contaminada pelo pecado. Campelo nos lembra que:

Quando ouvimos uma música, algo vem a nossa mente, ou há uma lembrança de algo, ou há uma identificação de circunstância ou ainda de origem. Assim, vemos que certas músicas nos trazem à lembrança amor romântico (amor= ágape), outras apenas a pura paixão carnal (amor=eros), outras ainda nos lembram de nossas brincadeiras infantis, outras incentivam à coragem para lutar (marchas militares), outras ainda o folclore carnal (carnaval, forró, etc..) etc.

A música dedicada a Deus deve ser santa e santificada. Deus não irá aceitar cânticos que, de qualquer forma, apresentem sinais de carnalidade:


"Afasta de mim o estrépito dos teus cânticos; porque não ouvirei as melodias das tuas violas." (Amós. 5:23); "Ai dos que dormem em camas de marfim, e se estendem sobre os seus leitos, e comem os cordeiros do rebanho, ... Que cantam ao som da viola, e inventam para si instrumentos musicais, assim como Davi; ... mas não se afligem pela ruína de José; portanto agora irão em cativeiro entre os primeiros dos que forem levados cativos, e cessarão os festins dos banqueteadores." (Amós. 6:4-7).


Não vamos à Igreja para "assistir" o culto, quem assiste o culto é Deus, nós vamos prestar (ou dar) culto, vamos para adorá-lo e reverenciar a sua grandeza. O culto a Deus deve ser racional e prestado com decência e ordem:


"Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém. Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional." (Rm. 11-36, 12-1). "Mas faça-se tudo decentemente e com ordem." (I Co 14:40);


Assim, a música deve ser utilizada para levar as pessoas a se aproximarem de Deus, e não para criar um ambiente de festividade e animação carnal. O objetivo do culto não é criar uma ocasião para o deleite pessoal de quem lá estiver, sua razão de ser é que nos apresentemos a Deus, em gratidão e reverência, e desta maneira a alegria que sentiremos virá de nossa comunhão com Deus e não de qualquer animação carnal.


Devemos usar a música na igreja com reverência e piedade: "Por isso, tendo recebido um reino que não pode ser abalado, retenhamos a graça, pela qual sirvamos a Deus agradavelmente, com reverência e piedade;" (Hb. 12:28), sem leviandade:


"E os filhos de Arão, Nadabe e Abiú, tomaram cada um o seu incensário e puseram neles fogo, e colocaram incenso sobre ele, e ofereceram fogo estranho perante o SENHOR, o que não lhes ordenara. Então saiu fogo de diante do SENHOR e os consumiu; e morreram perante o SENHOR" (Lv. 10:1-3)


e sem carnalidade: "Portai-vos de modo que não deis assim, escândalo nem aos judeus, nem aos gregos, nem à igreja de Deus." (I Co. 10:32). Sendo assim, poderíamos pensar a boa música Cristã a partir dos seguintes pressupostos, de acordo com Campelo (S/D):

1. Sua melodia fala ao nosso espírito, nos eleva? Ou nos traz à mente coisas que não estão ligadas a Deus, como é o caso das músicas mundanas com letras trocadas cantadas em algumas igrejas?

2. Seu ritmo não deve dar margem a danças sensuais ou carnais. A forma de saber é imaginar se o ritmo da música poderia levar alguma pessoa a ficar tentada a balancear seus quadris, da mesma forma que ritmos como o samba ou o rock poderiam fazer. “Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem. (Jo. 4:23)

3. A letra da música fala da sã doutrina cristã de forma plena, ou traz em si heresias? Pois, se houver heresias não devemos cantá-la: "Se alguém falar, fale segundo as palavras de Deus; se alguém administrar, administre segundo o poder que Deus dá; para que em tudo Deus seja glorificado por Jesus Cristo, a quem pertence a glória e poder para todo o sempre. Amém." (I Pe. 4:11)

4. Existe a menor dúvida quanto à música? Se sim, não devemos cantá-la: "Tens tu fé? Tem-na em ti mesmo diante de Deus. Bem-aventurado aquele que não se condena a si mesmo naquilo que aprova. Mas aquele que tem dúvidas, se come está condenado, porque não come por fé; e tudo o que não é de fé é pecado." (Rm. 14:22-23)

5. Se houver qualquer possibilidade da música ser pedra de tropeço para alguém, não devemos cantá-la: "Por isso, se a comida escandalizar a meu irmão, nunca mais comerei carne, para que meu irmão não se escandalize." (I Co 8:13).

4.3. A Sonoplastia na Igreja


Outro assunto de suma importância e que tem sido motivo de muitas controversas, o qual está diretamente ligado á musica na Igreja é a sonoplastia e, é importante frisar que não se faz necessário ter um conhecimento amplo acerca do assunto para compreender quando alguma coisa está desregulada ou quando o som está muito alto, além dos limites aceitáveis de maneira que não venha ferir os tímpanos; é exatamente sobre este ponto que pretendo trabalhar, o som muito alto que tem sido usado com freqüência nas igrejas atualamente.


Sobre este assunto COELHO (2008, p. 110) diz:


Como a igreja do senhor será edificada com sons eletrificados em volumes exarcebados e com imposição de diversas notas musicais por segundo atingindo os seus tímpanos? Será que não há limite para este órgão auditivo decodificar essas mensagens elétricas em mensagens inteligíveis?


O que está acontecendo nas igrejas hoje? Será que as pessoas perderam a sensibilidade e estão ficando surdas a ponto de não se incomodarem com a maneira como o som tem sido usado na igreja, de uma maneira tão alta que tem incomodado a muitos e o que é pior não nos permite ouvir a letra do que se está cantando, para então aprender e juntamente com os ministros de louvor também louvar e exaltar a Deus.


O mais triste que se pode constatar é que o uso do som alto nas igrejas está ligado ao fato de que os instrumentistas, em sua maioria, querem apenas mostrar o que sabem fazer com seu instrumento (depoimento que ouvi de um dirigente de grupo); parece que há uma disputa em saber quem toca melhor. Onde está o amor a Deus? O desejo de louvá-lo somente? De dedicar-lhe o dom que lhe foi dado? Onde foi parar a responsabilidade e a consciência de conduzir o povo a louvar a Deus?


Será que os responsáveis pela música na igreja hoje desconhecem o significado da palavra harmonia: vocal e instrumental agindo conjuntamente, produzindo música em sua essência, de forma que todos possam entender o que se canta e aquilo que se toca seja saudável e agradável aos ouvidos, seja música enfim, como diz Wolfgang Amadeus Mozart: “Assim como as paixões, violentas ou não, jamais devem ser expressas de forma a produzir asco, a música ainda que nas situações mais terríveis, nunca deve ofender o ouvido, mas agradar; continuar a ser música enfim”.


Coelho (2008, P. 58) nos adverte:


A melodia tem inquestionavelmente que sobrepujar, em forma de estrutura, em forma de embelezamento, à harmonia e ao ritmo. A igreja, em especial o visitante não crente, tem que ouvir de maneira clara e inteligível a mensagem que a melodia está transmitindo. Se a harmonia e o ritmo se apresentarem muito rebuscados e volumosos, sem duvida estarão abafando a nitidez da melodia, prejudicando assim a mensagem que ela que passar.


Se a igreja atual tiver uma visão bíblica do ministério da música, poderá sair da lamentável situação em que se encontra hoje, aquele que se coloca diante de Deus, como adorador, precisa ter coragem de permitir que Ele indique o que não está aprovando, e como corrigir isso.


5. CONCLUSÃO

A ignorância, a preguiça e o pragmatismo de certos dirigentes musicais estão levando as igrejas a aceitarem a invasão de certos tipos de música na liturgia de seus cultos. O louvor a Deus, através da música, deve brotar do íntimo do adorador independente de uma “platéia” que o aplauda, "E tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como ao Senhor, e não aos homens" (Cl 3:23).

Mas o que vemos? Grupos com interesse em mostrar o que sabem fazer. Crentes que querem ouvir músicas que exaltem a si mesmo e a sua necessidade de receber “uma benção” a tão desejada vitória, que satisfaçam o ego. Não se diferencia mais musica evangélica de musica “do mundo”, os próprios incrédulos têm denunciado isto.

Sabemos que o gosto musical de muitos na igreja tem sido influenciado pela música divulgada por meio das emissoras de rádio e televisão, nos cinemas e na Internet; eles acabam sucumbindo aos apelos do "marketing"; a mídia mudou o padrão e a sociedade está aceitando. Ela está ditando as normas de convivência produzindo modelo de vida, de cultura e o que é pior, a igreja está embarcando nessa ditadura deixando-se levar pelas idéias anti-bíblicas que a mídia tem ensinado.


Isso não é nada mais que, simplesmente o reflexo da pós-modernidade que vem com a cultura da desconstrução dos valores e, na igreja essa idéia aparece quando Deus agora é tratado como um empregado, alguém que está para realizar os meus desejos, eu determino e ele deve fazer aquilo que eu quero, sendo assim vou cantar músicas que satisfaçam a mim e a quem está ouvindo, músicas que se tornaram sucesso de público, que falem exatamente o que quero ouvir.


Outro fator relevante, que tem contribuído para isso é o existencialismo de Sartre, que leva em conta o imediatismo, o aqui e agora, para Sartre não existe projeto de Deus, você é o que importa ser, você é quem define e determina sua vida, percebemos isso claramente nas letras das músicas quando estas, na maioria das vezes, enfatizam: você pode, você vai conseguir, sua benção vai chegar, etc, etc, etc ...


A benção maior de nossas vidas nós já recebemos que foi o perdão de nossos pecados e a salvação em Jesus Cristo, pois sem Ele estávamos todos perdidos e condenados ao inferno. Então, nosso louvor, a música que entoarmos, deve ser primeiramente para exaltá-lo; devemos buscar a Deus, por Deus, pelo que ele é, porque ele é digno de toda honra e toda glória, não porque podemos receber alguma coisa dele. "A palavra de Cristo habite em vós abundantemente, em toda a sabedoria, ensinando-vos e admoestando-vos uns aos outros, com salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando ao Senhor com graça em vosso coração. E, quando fizerdes por palavras ou por obras, fazei tudo em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai." (Cl 3:16-17).


Nós cristãos, possuímos a melhor mensagem. A mensagem da cruz. A mensagem que liberta, que salva que leva para o céu, e não estamos conseguindo passar porque não estamos sendo prudentes, não temos os melhores músicos, não possuímos os melhores instrumentos e praticamos uma música que em vez de atrair, muitas vezes, repudia os ouvintes.


Eis uma grande verdade: O diabo está muito satisfeito com a situação de algumas músicas presentes na Igreja, pois não estão agradando aquele que devia ser o alvo da nossa adoração e não estão atraindo o pecador a Cristo.


6. REFERÊNCIAS BIBILOGRÁFICAS


BAGGIO, Sandro. Música Cristã Contemporânea. São Paulo Editora Vida, 2005.


COELHO, Nilton Didini. Manual do Líder de Louvor. Rio de Janeiro. CPAD, 2008.


HORNESS, Joe. Adoração Contemporânea in BASDEN, Paul. Adoração ou Show? São Paulo. Vida, 2006, p. 104-122.

ROCHA, Vanessa da. Música: 1001 utilidades. Revista COUAConta, Ano X Nº 1/1993, pp 10-11 Confederação das Uniões de Adolescentes Cogregacionais (COUAC) da UIECB

CARREIRO, Alina Carvalho. A música na Igreja. Revista Vida Cristã, 3º Trimestre 1997, p. 11-13. Confederação das Uniões de Auxiliadoras Femininas (FEUAC) da UIECB

PAHLAN, Kurt. Adoração e Louvor. Revista Educação Cristã Vol.1 6ª Edição Julho/2003. Sociedade Cristã Evangélica de Publicações LTDA (SOCEP).


NASSAU, Rolando de. Qualidades da Música de Igreja. Disponível em acesso em 10/06/2009


CAMPELO, Valter de Andrade. A música na Igreja de Cristo. Disponível em

acesso em 10/06/2009

DOUKHAN, Liliane Música na Bíblia. Revista Shabbat Shalom – Outono de 2002 – Volume 49, nº. 2, pp. 18-25 Traduzido por Levi de Paula Tavares em Março/2006 disponível em http://www.musicaeadoracao.com.br/artigos/meio/musica_biblia.htm


Umbelina Rodrigues de Sousa

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