FRASES QUE MARCAM

“Assim como as paixões, violentas ou não, jamais devem ser expressas de forma a produzir asco, a música ainda que nas situações mais terríveis, nunca deve ofender o ouvido, mas agradar; continuar a ser música enfim” (Wolfgang Amadeus Mozart).

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Adhemar De Campos - Amigo De Deus



É verdade que "há amigos mais chegados do que um irmão" (Provérbios 18.24), mas não existe e nunca haverá de existir amigo igual a Jesus, pois só Ele me conhece profundamente e sabe o que está no íntimo do meu ser, todos os meus anseios, por isso nesse primeiro dia do ano entrego, mais uma vez, a Ele todos os meus sonhos crendo que Ele haverá de fazer por mim "infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos conforme o seu poder que opera em nós" (Efésios 3.20), pois "Tudo Ele tem feito esplendidamente bem" (Marcos 7.37b). 
A ELE, POIS,TODA HONRA E TODA GLÓRIA!!!

sexta-feira, 27 de maio de 2016

A DEVOÇÃO ADMIRÁVEL

TEXTO BÍBLICO: Lucas 7.37-50

36 E rogou-lhe um dos fariseus que comesse com ele; e, entrando em casa do fariseu, assentou-se à mesa. 37 E eis que uma mulher da cidade, uma pecadora, sabendo que ele estava à mesa em casa do fariseu, levou um vaso de alabastro com unguento. 38 E, estando por detrás, aos seus pés, chorando, começou a regar-lhe os pés com lágrimas, e enxugava-lhos com os cabelos da sua cabeça e beijava-lhe os pés, e ungia-lhos com o unguento. 39 Quando isso viu o fariseu que o tinha convidado, falava consigo, dizendo: Se este fora profeta, bem saberia quem e qual é a mulher que lhe tocou, pois é uma pecadora. 40 E, respondendo, Jesus disse-lhe: Simão, uma coisa tenho a dizer-te. E ele disse: Dize-a, Mestre. 41 Um certo credor tinha dois devedores; um devia-lhe quinhentos denários, e outro, cinquenta. 42 E, não tendo eles com que pagar, perdoou-lhes a ambos. Dize, pois: qual deles o amará mais? 43 E Simão, respondendo, disse: Tenho para mim que é aquele a quem mais perdoou. E ele lhe disse: Julgaste bem. 44 E, voltando-se para a mulher, disse a Simão: Vês tu esta mulher? Entrei em tua casa, e não me deste água para os pés; mas esta regou-me os pés com lágrimas e mos enxugou com os seus cabelos. 45 Não me deste ósculo, mas esta, desde que entrou, não tem cessado de me beijar os pés.46 Não me ungiste a cabeça com óleo, mas esta ungiu-me os pés com unguento. 47 Por isso, te digo que os seus muitos pecados lhe são perdoados, porque muito amou; mas aquele a quem pouco é perdoado pouco ama. 48 E disse a ela: Os teus pecados te são perdoados. 49 E os que estavam à mesa começaram a dizer entre si: Quem é este, que até perdoa pecados? 50 E disse à mulher: A tua fé te salvou; vai-te em paz.


INTRODUÇÃO

Nada é mais importante do entender o motivo pelo qual fomos criados e qual o proposito de Deus para a nossa vida, não entender isso acarreta em um grande  prejuízo para nossas vidas. Rick Warren escreveu: “A maior de todas as desgraças não é a morte mais uma vida sem propósitos”. Sem propósitos a vida não tem significado, relevância ou esperança. Sem propósitos a vida é um movimento sem sentido, uma atividade sem direção e acontecimentos sem motivo. Sem propósitos, continuaremos a levantar domingo após domingo, ir a igreja, cumprir rituais religiosos e, muitas vezes, voltar vazio para as nossas casas.
Por outro lado, conhecer os propósitos de Deus para nós, dá sentido, direciona, estimula e simplifica a nossa vida e nos prepara para a eternidade. Não há nada tão potente e realizador como conhecer os propósitos de Deus para a nossa vida e cumpri-los.
Santo Agostinho escreveu: “Fizeste-nos, Senhor, para ti, e inquieto está o nosso coração, enquanto não descansar em ti”. O homem foi criado para louvor e gloria do seu criador, o Único Deus verdadeiro. Devemos, portanto, a Ele toda a nossa devoção e adoração, e deve ser uma adoração que o agrade, a exemplo de Abel que trouxe das primícias e agradou o coração de Deus, sendo sua oferta de adoração aceita por Ele (Gn 4.4; Hb 11.4).

Significado de devoção no dicionário

Priberam
(latim devotio, -onis, dedicação, sacrifício, culto)
substantivo feminino
1. Observância de certas práticas religiosas e piedosas.
2. Veneração especial.
3. [Figurado] Afeto, dedicação.

Michaelis
sf (lat devotione) 1 Sentimento religioso; dedicação às coisas religiosas; culto especial a um santo; práticas religiosas. 2 observação espontânea dessas práticas. 3 Dedicação íntima. 4 Afeto. 5 Veneração. 6 Objeto de especial veneração: Você é a minha devoção.

Informação histórica

Denário: moeda romana, feita de prata, e valia um dia de trabalho de um lavrador. 500 denários correspondiam a 500 dias de trabalho

COMO PODEMOS FAZER COM QUE NOSSA DEVOÇÃO SEJA ADMIRÁVEL AOS OLHOS DE DEUS?  

A mulher pecadora de Lucas 7.36-50 nos ensina, vejamos o que ela fez para demonstrar sua devoção e dedicar sua adoração a Jesus.
     
1.       Reconhecer-se uma mulher pecadora (v 38)

“...chorando, começou a regar-lhe os pés com lágrimas” (v 38c).

Reconhecida por todos como uma pecadora que vivia na região. Uma mulher imoral. Aquela de quem as pessoas comentavam, cochichavam quando se aproximava. Era discriminada. Ninguém queria a sua companhia ou amizade.
 Ninguém queria ser visto conversando com ela, muito menos teria coragem de tocá-la, "sob o risco de ser contagiado por seus pecados", segundo o pensamento religioso da época. As suas lágrimas expressavam o reconhecimento do seu pecado.
Duas verdades precisam ser consideras. A primeira é que para Deus todos somos pecadores“Pois todos pecaram e carecem da glória de Deus” (Rm 3.23). E a segunda é que Jesus não rejeita os pecadores“Achando-se Jesus à mesa na casa de Levi, estavam juntamente com ele e com seus discípulos muitos publicanos e pecadores; porque estes eram em grande número e também o seguiam” (Mc 2.15).
               
2. Ser uma mulher corajosa (v 37)

"E eis que uma mulher da cidade, uma pecadora, sabendo que ele estava à mesa em casa do fariseu, levou um vaso de alabastro com unguento;" (v. 37)

·    Para entrar naquele recinto onde estava sendo servido por Simão um grande banquete, não era nada fácil.  Sem se importar com a reprovação dos olhares dos convidados, teve grande coragem e se aproxima de Jesus, na frente da multidão que conhecia as suas ofensas. E quando se prostra com o bálsamo puro nardo, se depara com os pés do salvador.
·    Que mulher notável, ela não se intimidou. O reino de Deus é dos que estão dispostos a pagar o preço.
o    “Quanto, porém, aos covardes, aos incrédulos, aos abomináveis, aos assassinos, aos impuros, aos feiticeiros, aos idólatras e a todos os mentirosos, a parte que lhes cabe será no lago que arde com fogo e enxofre, a saber, a segunda morte” (Ap 21.8);
o    “Porque Deus não nos tem dado espírito de covardia, mas de poder, de amor e de moderação” (2Tm 1.7);
o    “Por isso, eu lhe darei muitos como a sua parte, e com os poderosos repartirá ele o despojo, porquanto derramou a sua alma na morte”  (Is 53.12a).

3. Mostrar-se uma mulher arrependida e humilde (v 38)

"E, estando por detrás, aos seus pés, chorando, começou a regar-lhe os pés com lágrimas, e enxugava-lhos com os cabelos da sua cabeça." (v. 7:38)

·  Quanta humildade, ela veio por detrás, ficou aos pés do Mestre. Que coração humilde, contrito, compungido. Este choro é muito profundo! Há muita reflexão aqui. Há arrependimento de pecados. A Pecadora chorava e refletia suas ações passadas. Seu coração estava totalmente arrependido, quebrantado. Pensava em uma mudança interior. Estava disposta a uma nova prática de vida.
·    Assim a pecadora, beijava e ungia os pés do Mestre, em uma atitude de amor, na confissão da sua incapacidade de se autojustificar, mas crendo na justificação pela fé. Deus se agrada de um coração arrependido e humilde: 
o    “Sacrifícios agradáveis a Deus são o espírito quebrantado; coração compungido e contrito, não o desprezarás, ó Deus” (Sl. 51.17).

4. Ser uma mulher generosa (v 38)

“e beijava-lhe os pés e os ungia com o unguento” (v.  38c)

   A mulher não se preocupou com o valor do perfume que estava derramando nos pés de Jesus. Sua única preocupação foi demonstrar que o reconhecia como o Messias e dedicar a ele toda a sua devoção.
·   Vaso de Alabastro - Frasco de gargalo comprido, feito de material delicado e translúcido. O alabastro era um gesso branco, finíssimo, uma pedra mais suave do que o mármore.  A maioria desses frascos era proveniente de Damasco, na Síria. Unguentos e perfumes preciosos eram transportados em frascos dessa natureza,
·  Unguentos - Óleo perfumoso para ser esfregado na pele. O mais excelente unguento, de nardo, procedia de Tarso, na Cilícia.
·   Nardo - Planta de cujo caule e raízes se prepara um perfume muito caro 
          Nós, que geralmente procuramos Jesus para pedir, para receber por que não imitarmos essa mulher ofertando a Jesus tudo o que somos e que temos? 
o    “Que darei ao Senhor por todos os seus benefícios para comigo? Tomarei o cálice da salvação e invocarei o nome do Senhor” (Sl. 116.12-13).

5. Ser uma mulher de fé (v 50) 

·    Jesus disse algo significativo àquela mulher: “A tua fé”.  É pela fé que vencemos o mundo (1 Jo 5.4); é pela fé que vivemos: “O justo viverá por fé” (Rm 1.17). Podemos concluir esta reflexão bíblica com os versículos 47-50, dizendo que essa mulher foi, na verdade, uma mulher abençoada. Ela foi abençoada por Jesus com a bênção do perdão, da salvação e da paz.

Conclusão

"Quando isto viu o fariseu que o tinha convidado, falava consigo, dizendo: Se este fora profeta, bem saberia quem e qual é a mulher que lhe tocou, pois é uma pecadora." (v. 39)

·      Simão, o anfitrião, dono da casa, em um excesso de farisaísmo, começa a lançar dúvidas sobre a santidade de Jesus, pois se deixava ser tocado por uma pecadora, ainda que arrependida. 
·      O Mestre lê o seu pensamento e traz uma resposta que contrasta com a ação de humildade da pecadora.

"Por isso te digo que os seus muitos pecados lhe são perdoados, porque muito amou; mas aquele a quem pouco é perdoado pouco ama." (v. 47)

·     A pecadora que ungiu os pés de Jesus, não se prendeu a teoria da lei, mas teve para com o Mestre uma atitude de amor.  A pecadora reconhecia seus muitos pecados. E demonstrava o amor de quem alcançou um magnífico perdão. Muito mais do que a Lei é o Amor. Simão não entendia que o amor supera em muito os pecados! E quem consegue entender a grandeza do perdão recebido, se entrega totalmente ao amor de Jesus.
·  Jesus nos passa um exemplo de humildade de beleza incomparável. Um Deus sublime, majestoso, porém humilde e acessível e que ama! O fariseu pensava que servia a um Deus que abominava e afastava o pecador e não se importava com eles. Simão não sabia amar e perdoar.

·    Jesus, porém conhecia a reputação da pecadora, todavia estava interessado em salvá-la por meio da graça de Deus. Ele não afasta o pecador arrependido, mas o transforma para fazer a sua obra. O amor de Deus salva. O amor de Deus transforma e perdoa!

Umbelina Rodrigues,
Apenas uma serva!!!

segunda-feira, 18 de abril de 2016

A ORAÇÃO QUE DEUS ACEITA

O que desvia os ouvidos de ouvir a lei, até a sua oração será abominável" 
(Provérbios 28:9).
“O sacrifício dos ímpios é abominável ao SENHOR, mas a oração dos retos é o seu contentamento” (Provérbios 15.8)


INTRODUÇÃO

Deus quer que seus filhos orem. A Bíblia nos ensina a orar sem cessar e a ser perseverantes na oração (1 Tessalonicenses 5:17; Romanos 12:12).
Jesus disse que os homens devem"orar sempre e nunca esmorecer" (Lucas 18:1), e como seu discípulos devemos obedecer.
Contudo, a oração de alguém pode ser abominável aos olhos do Senhor e isso acontece quando a pessoa "desvia os ouvidos de ouvir a lei".

Como uma pessoa pode desviar seus ouvidos de ouvir a lei?

Por escolher ser ignorante. Pedro falou sobre alguns escarnecedores que deliberadamente esqueceram dos fatos da palavra de Deus (2 Pedro 3:5). Algumas pessoas preferem as trevas do que a luz. O pior tipo de ignorância é a ignorância voluntária!

Pela negligência. Alguns desviam os ouvidos de ouvir a lei por negligência. São descuidados e não atenciosos no estudo das Escrituras. Eles deixam de cumprir alguns deveres por causa da negligência. Por que Deus ouviria a oração de alguém que negligencia a palavra dele?

Por desobediência proposital. Quando Jeová apelou aos israelitas para que andassem pelas veredas antigas, a resposta deles foi: "Não andaremos" (Jeremias 6:16).
Eles foram avisados sobre sua rejeição intencional da palavra de Deus: "Ouve tu, ó terra! Eis que eu trarei mal sobre este povo, o próprio fruto dos seus pensamentos; porque não estão atentos às minhas palavras e rejeitam a minha lei" (Jeremias 6:19).

Desviar seus ouvidos de ouvir a lei implica em:

1.     DESVIO DOS OUVIDOS DE DEUS À NOSSA ORAÇÃO

Quando um homem desvia seus olhos de ouvir a lei de Deus, Deus desvia seus ouvidos de ouvir a oração do homem! Deus se recusa ouvir aquele que se recusa ouvir a Deus! Uma oração poderia ser perfeita e muito eloquência, mas ainda ser ofensiva a Deus. "Deus olha mais para a conduta da vida do que para a linguagem da oração. Ele não aceita reverência no templo quando vê maldade na praça" (W. F. Adeney).
Nada impede mais a oração do que o pecado. Quando o pecado está à porta, a passagem é interditada. Assim disse o salmista: "Se eu no coração contemplara a vaidade, o Senhor não me teria ouvido" (Salmo 66:18).
Você não pode agarrar o pecado com uma mão e buscar a ajuda divina com a outra. Oração implica submissão. Rejeição à lei de Deus é insubmissão.  

2.     LOUVOR ABOMINÁVEL

Isaías falou ao povo de sua época, um povo totalmente doente, que Deus foi ofendido pelo louvor deles. Deus olhou para a sua decadência espiritual e disse: "Não continueis a trazer ofertas vãs; o incenso é para mim abominação, e também as Festas da Lua Nova, os sábados, e a convocação das congregações; não posso suportar iniquidade associada ao ajuntamento solene. As vossas Festas da Lua Nova e as vossas solenidades, a minha alma as aborrece; já me são pesadas; estou cansado de as sofrer. Pelo que, quando estendeis as mãos, escondo de vós os olhos; sim, quando multiplicais as vossas orações, não as ouço, porque as vossas mãos estão cheias de sangue" (Isaías 1:13-15).
Quando o rei Saul desobedeceu a Deus, o profeta Samuel lhe disse: "Tem, porventura, o Senhor tanto prazer em holocaustos e sacrifícios quanto em que se obedeça à sua palavra? Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar, e o atender, melhor do que a gordura de carneiros" (1 Samuel 15:22). A obediência dá credibilidade ao nosso louvor.

CONCLUSÃO

A oração é o canal de comunicação entre Deus e os seus filhos, "e retrata muito mais do que a posição de um mendigo à porta de um homem rico". Oramos, não para informar a Deus sobre nossas necessidades, pois ele já as conhece todas, ele sabe até o que vamos falar (Salmo 139.2); oramos para conhecer mais de Deus, para cultivarmos intimidade com o nosso Pai, assim como conversamos intimamente com o nosso melhor amigo.
Muitos tem entendido oração erradamente, pois, temos visto pessoas, que quando oram, reivindicam, exigem que Deus realize os seus desejos e até ousam discordar de Deus, dizendo que não aceitam o que lhes está acontecendo; ouvimos constantemente: Eu não aceito a derrota! Eu sou filho do rei, não mereço isso! Eu determino, eu decreto. Segundo McAlister poucas coisas podem minar na essência o Cristianismo mais do que práticas e conceitos deturpados sobre a oração”.
Oramos reconhecendo nossa limitação e nossa total dependência de Deus. Foster (1983, p. 47,48) ensina que: A oração verdadeira cria e transforma a vida [...] na oração sincera começamos a pensar os pensamentos de Deus à sua maneira, desejamos as coisas que Ele deseja, amamos as coisas que ele ama. Progressivamente, aprendemos a ver as coisas na perspectiva divina.
O propósito da oração e do chamado de Deus não é fazer de você o número um aos olhos do mundo, mas fazer de Deus o número um em sua vida. [...] Ninguém consegue simplesmente reconhecer o chamado sem se aproximar de Deus em oração (Zacharias, 2009, p. 70).
  
Oração é o espírito falando a verdade para A Verdade.

(Philip James Balley, poeta inglês do século 19)


Umbelina Rodrigues de Sousa
- uma serva em construção -

sábado, 7 de fevereiro de 2015

O PERDÃO E O CASTIGO DE DEUS

TEXTO BÍBLICO: SALMO 99.6-9


INTRODUÇÃO

 Este salmo pode ser chamado de O SANTÍSSIMO, ou seja, O SALMO SANTO, SANTO, SANTO, pois a palavra "santo" é a conclusão e o refrão de suas três divisões principais. Seu assunto é a santidade do governo divino, a santidade do reinado do Mediador.
 Declara a santidade do próprio Jeová em Sl 99.1-3; descreve o  próprio Senhor como sendo o rei, em Sl 99.4-5,  e, apresenta o caráter severamente justo dos tratos de Deus com aquelas pessoas favorecidas que em tempos anteriores ele havia escolhido para se aproximarem dele em favor do povo, Sl 99.6-9.
 É um hino que bem serve aos santos que habitam em Sião, a cidade santa, e especialmente digno de ser cantado reverentemente por todos que, como Davi o rei, Moisés o portador da lei, Aarão o sacerdote, ou Samuel o vidente, têm a honra de liderar a igreja de Deus, e implorar por ela junto ao Senhor dela.
        Moises, Arão e Samuel não são mencionados como privilegiados, mas como típicos daqueles entre os quais eles serviam. O salmo os usa para exemplificar a caminhada da pessoa com Deus, que se constitui em:

1. Orar e receber repostas (V. 6)

A principal marca do povo de Deus é o seu relacionamento com Ele por meio da oração. Moises Arão e Samuel são figuras notáveis que, deram bom exemplo, ao invocar o nome de Deus. Para eles Deus era suficiente.
Moises, Arão e Samuel sempre obtiveram atenção de Deus e isso foi universalizado. Moises invocou o nome do Senhor (Ex. 32.11,32), assim como Arão (Nm. 16.22) e Samuel (I Sm 7.9; 12.18), e Deus respondeu a todos eles.
Esses homens são apresentados como exemplo encorajador de orações respondidas e revelações concedidas.
E Deus respondeu a todo o seu povo, mais cedo ou mais tarde, de uma maneira ou de outra, o que não é um pequeno encorajamento para todos os crentes orarem a Ele (John Gill).

2. Ouvir e obedecer (v 7).

         O povo do Senhor vive pela verdade sobrenatural, a Palavra de Deus. Moises Arão e Samuel são apontados como exemplo de obediência a lei que Deus havia dado a Israel, referida aqui, pelas palavras “mandamento” e “lei”.
        Essa dádiva da lei foi dada foi também um ato providencial de Deus aos homens de todos os lugares. Mais tarde a graça divina substituiria a lei, que também seria universal em sua aplicação.

3.  Receber o perdão e o castigo de Deus (v 8).

           Mesmo sendo obediente, vemos aqui que esses homens tinham “fraquezas humanas como as nossas” (Tg. 5.17).
           Deus respondeu ao povo de Israel quando ele o invocou em oração. Ele também perdoou quando errou, pois até os heróis da fé erraram, pois eles eram apenas homens, sujeito a pecados de comissão e de omissão. Mas esses pecados e fracassos não cessaram a providencia de Deus, nem naqueles dias (Nm. 14.17-24), nem agora.
            Arão e Moises pecaram (Ex. 32.35; Nm. 20.12; Dt. 2.23-27; 9.20). Não há registros de erro de Samuel, mas esse silêncio não significa que ele não errou. Assim, eles tiveram de sofrer seus castigos, pois a lei da semeadura é universal e não admite exceções. Esses castigos tinham por finalidade curar e não meramente cobrar um pagamento ou executar uma vingança. O senhor castigava, mas não consumia, prova da bondade de Deus com seu povo.
A vingança de Deus por pecado não evita que ele perdoe o pecado; o fato de Deus perdoar o pecado não evita de ele se vingar pelo pecado (Stephen Bridge). Nossos erros e lapsos trágicos podem ser perdoados, porém não desfeitos (Nm. 20.12)
Nota-se a distinção entre o sanar dos relacionamentos (fostes para eles Deus perdoador), e o castigo das ações (tomando vingança dos seus feitos). Devemos esperar pelos atos castigadores de Deus, mas também podemos depender do seu amor constante, em todas as situações. O julgamento divino é um dedo da amorosa mão de Deus. O desprazer de Deus em nosso pecados é paternal e não caprichoso e egoísta.
Deus aplica perdão, mas aplica castigo severo, porque perdão sem castigo nos faria complacentes, e castigo sem perdão nos levaria ao desespero. Perdão sem disciplina nos transformaria em crianças mimadas; disciplina sem perdão partiria o nosso coração. 
Juntos os dois garantem que, embora possamos considerar o perdão como certo, não podemos jamais tratar o pecado como algo sem importância. A lição negativa reforça a positiva, e é dupla: nem se deve desesperar da misericórdia de Deus, nem abusar dela.

4. Louvar a Deus pelo perdão e pelo castigo (v 9)

        A frase que forma o lema do Salmo: ele é santo (3, 5) agora se expande e recebe calor dizendo: por que santo é o Senhor nosso Deus! A majestade não foi diminuída, mas agora a ultima palavra revela a intimidade. 
       Deus não se envergonha de ser chamado nosso; temos justas e merecidas razões para adorá-lo, pois Ele nos perdoa e nos justifica pelo sangue de Cristo e "o Senhor corrige o que ama, e açoita a qualquer que recebe por filho. Se suportais a correção, Deus vos trata como filhos; porque, que filho há a quem o pai não corrija?" (Hb 12.6-7)


Umbelina Rodrigues