FRASES QUE MARCAM

“Assim como as paixões, violentas ou não, jamais devem ser expressas de forma a produzir asco, a música ainda que nas situações mais terríveis, nunca deve ofender o ouvido, mas agradar; continuar a ser música enfim” (Wolfgang Amadeus Mozart).

quarta-feira, 17 de abril de 2013

A MEDIDA DO AMOR DE DEUS


TEXTO: João 3.14-18

14. E como Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do homem seja levantado; 15. para que todo aquele que nele crê tenha a vida eterna.
16. Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho Unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.
17. Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele.
18. Quem crê nele não é julgado; mas quem não crê, já está julgado; porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus.

INTRODUÇÃO

 No evangelho de João encontramos o texto considerado por muitos como o texto áureo da Bíblia. João 3:16 é uma espécie de resumo daquilo que Deus planejou para nós na pessoa de Jesus; alguém o descreveu como “o evangelho numa casca de noz”, ou seja, o evangelho contido em poucas palavras.
Max Lucado fez a seguinte declaração sobre este versículo: João 3.16 é simples o bastante para não discutirmos, é grande o bastante para não entendermos, mas é profundo o bastante para nos explicar o maior e mais sublime plano de Deus para as nossas vidas.

QUAL A MEDIDA DO AMOR DE DEUS? (v. 16)

Muitos enfatizam o “de tal maneira” (no grego: assim, deste modo, a tal ponto, desta maneira), explicando que o amor de Deus é tão grande que muitas vezes não podemos mensurá-lo, o que não deixa de ser verdade, mas os versículos 14 e 15 apresentam um paralelismo com o versículo 16, ou seja, a ideia trabalhada no versículo 16 é a mesma trabalhada nos versículos 14 e 15, assim, podemos concluir que a medida do amor de Deus é a sua permissão ao sofrimento de Jesus Cristo, levando-o a ser levantado na cruz do calvário: assim importa que o Filho do homem seja levantado (v.14);
Vejamos o que diz Isaías 53.10: Todavia, ao Senhor agradou moê-lo, fazendo-o enfermar; quando der ele a sua alma como oferta pelo pecado, verá a sua posteridade, prolongará os seus dias, e a vontade do Senhor prosperará nas suas mãos.
Vejamos ainda 1 João 4:10-11: 10. Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou a nós, e enviou seu Filho como propiciação (sacrifício) pelos nossos pecados. 11.  Amados se Deus de tal maneira (assim, desta maneira) nos amou, devemos nós também amar uns aos outros.
 Não é maravilhoso saber que Deus permitiu, e ainda lhe foi agradável, permitir o sofrimento do seu Filho, para garantir o perdão dos nossos pecados e a vida eterna.

A SERPENTE É UM O TIPO DE CRISTO (v.14-15).

A serpente de bronze sendo levantada em um poste no meio do acampamento de Israel é um tipo do Cristo, uma figura do Filho de Deus, que seria levantado na cruz. “Ser levantado(hypsoo) denota tanto ser levantado no espaço, como ser exaltado na gloria. Em João, o filho de Deus é glorificado sendo crucificado (8.28;12.23,32), a cruz onde ele foi erguido transformou-se na escada pela qual subiu a presença de Deus (João 1.51).
            Não havia poder terapêutico na serpente de bronze no deserto, tanto é, que quando os israelitas começaram a adorá-la o rei Ezequias a quebrou em pedaços (2 Reis 18.4). Foi a graça salvadora de Deus que curou os israelitas mordidos ao crerem e obedecerem à sua ordem. A máxima está na atitude de ouvir a ordem, crer e obedecer.
No filho de Deus que foi erguido, porém, há um poder terapêutico infinito, muito maior do que qualquer coisa experimentada pelos israelitas no deserto. Estes foram curados de uma doença física recebendo mais dias de vida sobre a terra. O Filho de Deus, porém, cura as enfermidades espirituais e garante vida eterna àqueles que olham para ele com fé. Os que põem a sua fé no Filho de Deus, Jesus, são resgatados da destruição e abençoados com a vida verdadeira, vida com abundancia (João10.10).
No Novo Testamento aparecem duas palavras no original grego para a palavra vida: zoê que significa vida eterna, vida da ressurreição; união com alguém que já ressuscitou; vida espiritual de libertação das penalidades próprias do pecado; é a própria vida de Deus que está no verbo eterno (a vida estava nele) e por ele é transmitida a todos os crentes e bios a qual significa vida, subsistência, manutenção, mercadoria, substância, víveres, sustento para viver bem (Marcos 12.44; 1 Pedro 4.2).  No texto objeto desse estudo encontramos a palavra zoê.
            O verbo deu está na 3ª pessoa singular do tempo verbal aoristo (exclusivo no grego), que é um indicativo ativo, e nos mostra que Deus deu seu Filho para nos dar vida e continua nos dando. Esse tempo verbal indica um ato continuo, no caso aqui em João 3.15-16 é um ato continuo de doação.

O FILHO DE DEUS/FILHO DO HOMEM É JESUS

João Batista testificou que o Filho de Deus é Jesus (João 1.32,34), aquele que andou entre as pessoas, de quem os fariseus disseram: “Donde lhe vem esta sabedoria, e estes poderes milagrosos? Não é este o filho do carpinteiro? e não se chama sua mãe Maria, e seus irmãos Tiago, José, Simão, e Judas? E não estão entre nós todas as suas irmãs? Donde lhe vem, pois, tudo isto?” (Mateus 13.54-56).
Assim, Jesus sendo o Filho de Deus e tendo sido levantado na cruz do calvário se tornou o nosso Salvador (João 4.42). Ele é o caminho, a verdade e a vida (João 14.6), o Senhor e Cristo (Atos 2.36); Maravilhoso conselheiro, Deus forte, Pai da eternidade e príncipe da Paz (Isaías 9.6).
João apresenta Jesus como o Verbo (Logos), por causa da atitude de alguns filósofos da época os quais entendiam que o logos estava no princípio, para eles o logos era uma força ativa. João mostra que a divindade em quem os filósofos criam é um Deus pessoal e relacional: as expressões de João 1.1: “estava com Deus”, dá a ideia de unidade, estar junto, a mesma força e autoridade e “era Deus mostra que Jesus é preexistente, ele é Deus, a fonte e a razão de tudo existir.
Através do grande amor de Deus revelado a nós seu Filho se tornou o nosso mediador eficaz. Assim o amor de Deus: não faz acepção de pessoas (Mateus 5.43-45); não procura circunstância (Lucas 23.42,43); é sem medida (Lucas 23.34); nos elegeu (1 João 3.1); nos trouxe a fé (1 João 4.19); dá a vida eterna (João 3.16).
O evangelho da salvação e da vida tem sua origem no amor de Deus.

JESUS VEIO PARA SALVAR E NÃO PARA JULGAR (v 17-18).

A pessoa que despreza Cristo julga a si mesmo e não a Cristo, ela não precisa esperar até o dia do julgamento, o veredito sobre ele já foi pronunciado. Sem duvida haverá um dia de julgamento final (João 5.26-29), mas que servirá somente para confirmar o julgamento decidido (já está condenado).
O verso 18 deixa claro que Jesus, como Filho de Deus, é o marco definitivo que divide o mundo em os crentes e os incrédulos.


Obs. Estudo originado a partir de uma atividade realizada na aula de Grego, com a professora Rosa.


Umbelina Rodrigues de Sousa
- Estudante de Teologia -


"Louvarei ao Senhor porquanto me tem feito muito bem" (Salmo 13.6)

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

O REINO DE DEUS NA TERRA: JÁ E AINDA NÃO


Seminário Teológico do Betel Brasileiro e Ação Evangélica
Curso: Superior em Teologia
Semestre: 2012.2
Disciplina: Teologia do Novo Testamento
Professor: Gildelânio da Silva
Aluna: Umbelina Rodrigues de Sousa


O REINO DE DEUS NA TERRA: JÁ E AINDA NÃO

INTRODUÇÃO

Deus preparou um povo para ser o berço do Messias. Esse povo foi ensinado a aguardar o cumprimento das profecias no tempo determinado por Deus. Os tempos passaram até que as profecias se cumprissem. No capítulo 2 do Livro do profeta Daniel encontramos o relato de um sonho que Nabucodonosor o rei da Babilônia teve e a sua interpretação dada por Deus a Daniel. Este sonho prediz a vinda de quatro reinos sendo o último deles o do império Romano. Daniel, no versículo 44, explica que durante os “dias destes reis, o Deus do céu suscitará um reino que não será jamais destruído”.
Muitos anos depois aparece alguém pregando no deserto da Judéia, convidando o povo ao arrependimento e trazendo uma mensagem animadora, este é João Batista, que aparece pregando: “Arrependei-vos porque é chegado o reino dos céus” (Mt 3:2), deixando os seus ouvintes atônitos. Em Marcos 1:15, Jesus pregou dizendo, “O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo”, e foi mais longe anunciando claramente que o reino já estava presente em Seu ministério (Mt. 12.28), e ainda em Marcos 9:1 Jesus disse a alguns dos seus discípulos que eles não passariam pela morte antes de ver o reino de Deus chegar com poder.
Analisando os relatos do Novo Testamento, percebemos que Jesus construiu seu reino nos dias do governo romano. O apóstolo Paulo, ao falar dele mesmo e dos irmãos colossense, declarou: o Senhor “nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor” (Cl1:13). Pela forma como o verbo está conjugado o reino já existia e eles faziam parte dele quando Paulo escreveu a carta aos Colossenses, em Apocalipse João disse que ele é um irmão e companheiro dos irmãos das sete igrejas da Ásia no reino, ou seja, João estava no reino o que nos mostra que o reino já existia.
Surge então a pergunta? O que é o reino de Deus? Essa é uma questão que permeia a mente de muitos cristãos, não é uma questão fácil de respondê-la devido as transformações sociais e a constante mudança de comportamento observadas ao longo dos anos, provocadas por essas transformações, a desvalorização para com as coisas de Deus é visível, o que importa é o imediatismo, nesse contexto, como cristãos precisamos e devemos conhecer e entender o que Deus quer para nossas vidas e o que vem a ser este reino, que fora anunciado por Jesus, este sendo apresentado na Bíblia como o Rei dos reis. Assim, com o presente trabalho pretendo pesquisar e buscar entender um pouco sobre o que de fato é o Reino de Deus e as suas implicações na vida do Cristão e da sociedade.

JESUS E O REINO DE DEUS

Sobressai nos evangelhos a ênfase que Jesus Cristo deu ao reino de Deus, pois ele se referiu nada menos que 70 vezes, enquanto apenas duas vezes à Igreja. Por isso, um dos evangelhos é também conhecido como “o evangelho do reino”, expressão presente em quase todas as parábolas contadas pelo Senhor. Para um perfeito entendimento do reino no Novo Testamento é primordial que se considere a expressão que contenha a palavra “reino” à luz de seu respectivo contexto.
Reino de Deus, do hebraico “malkuthYawehh” e do grego “Basiléia tou Theou”, essa expressão ou sua equivalente aparece 51 vezes no Evangelho  de Mateus e 80 vezes em Marcos, sendo o tema central da pregação de Jesus que o anuncia e também o realiza. Para a maioria dos estudiosos do assunto, não há qualquer diferença entre “reino de Deus” e “reino dos céus” (Mt 4.17; Mc 1.14), no entanto, existem algumas  referencias bíblicas em que os termos não se equivalem (Mt 22.2-7 e Rm 14.17).
Reino dos céus aparece somente em Mateus, provavelmente essa expressão representa as palavras de Jesus, porque céu era, para os judeus, sinônimo de Deus, e eles preferiam essa palavra, assim, o autor evitou muitas menções ao nome de Deus para não torna-lo banal, em consideração ao profundo respeito que os judeus dedicavam ao nome divino. Usualmente Mateus refere-se ao esperado reino messiânico. Ao governo de Messias sobre o trono (Mt 3.2; Lc 1.32-33 cf Dn 7.27; Is 40.3). Como os outros escritores do Novo Testamento estavam em maiores relações com cristãos não judeus, usavam assim uma expressão mais acessível, “o reino de Deus”. Um estudo cuidadoso dos evangelhos nos mostra que essa duas expressões “reino de Deus” e “reino dos Céus” são intercambiáveis, elas são usadas indistintamente. Em passagens correlatas Mateus usa “Reino dos Céus” enquanto Marcos e Lucas usam “reino de Deus” (cf Mt. 4.17 com Mc. 1.15).
Segundo Youngblood (2004, p. 1219):

Alguns intérpretes da Bíblia consideram que a expressão “reino de Deus” é um termo mais abrangente, referindo-se tanto ao céu quanto a terra. Da mesma forma eles acreditam que “reino dos céus” é um termo mais restrito, que se refere ao governo de Deus sobre a terra, principalmente em relação a nação de Israel. Segundo essa visão, Jesus ofereceu o reino dos céus literal a Israel, mas os judeus não quiseram aceita-lo. Por isso ele foi adiado até a Segunda Vinda de Cristo.

O povo judeu esperava que o reino de Deus pusesse um fim imediato na era do mal. Mas ele chegou misteriosamente, sem fazer isso. A nova realidade do reino se sobrepôs à era atual, invadindo-a, em vez de acabar com ela. O reino que se inicia com o ministério de Jesus manifesta-se sob a forma de um mistério: embora ele esteja fisicamente presente através dos atos e obras de Jesus, ele ainda não domina completamente o mundo. O julgamento dos inimigos de Deus é adiado; o reino que chegou com Jesus não incluiu a vitória triunfal tão aguardada pelos judeus. Para Santos (2006. p. 435)

O Reino de Deus, o reino dos céus, como apresentado nas palavras de Jesus cristo, está inseparavelmente ligado à Sua obra redentora; este reino não é do mundo, na sua origem, ou na sua conservação. Não é também político, com limites geográficos ou de raças, é um domínio espiritual e moral, no qual Deus é supremo. E para todos (Mt. 8.11-12; 25.31-34). O que caracteriza o cidadão desse reino não é a sua raça, mas sua obediência (Mt. 7.21, cf. com 3.20). Está em contraste com possessões, e é colocado acima delas (Mt. 6.33). Desde o momento em que o reino já atua na vida dos súditos, pode-se dizer que está dentro deles (Lc. 17.21).

Jesus passou em todas as cidades e vilas da Galileia pregando, e certamente o assunto das suas pregações era uma verdade demasiadamente importante. Os Evangelhos fornecem a resposta sobre essa verdade: ele andava "... pregando e anunciando o evangelho do reino de Deus..." (Lc 8:1); ou "...o evangelho do reino..." (Mt 4:23; 9:35). Mateus ao escrever sobre o reino de Deus não se preocupa em defini-lo, ele se refere apenas como "o reino", pois, o seu significado era facilmente compreendido por aqueles que conviviam com Jesus naquela época. O Reino de Deus é a demonstração do poder divino em ação; Deus inicia seu domínio espiritual na terra, no coração do seu povo e no meio destes (Jo14:23). Jesus mesmo afirmou: Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e viremos para ele, e faremos nele morada.
Até a vinda de Cristo a morte reinava, mas quando Jesus se manifestou em carne, todos nós recebemos da sua plenitude, e graça sobre graça (Jo 1.16). Ele veio para expulsar o príncipe deste mundo (Jo 12.31), e estabelecer o Seu Reino sobre este mundo, pois Ele disse: "Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus" (Mt 4.17). Até a vinda de Jesus, só o Diabo tinha o império da morte, mas os que recebem a abundância da graça e o dom da justiça, podem agora reinar em vida por Jesus Cristo (Rm 5.17). Aqueles que nasceram de Deus, não pertencem mais a este mundo, e muito menos estão sujeitos ao pecado e ao Diabo. Sobre o último inimigo a ser destruído que é a morte, podemos andar em plena esperança, porque: "se o Espírito daquele que dos mortos ressuscitou a Jesus habita em vós, aquele que dos mortos ressuscitou a Cristo Jesus há de vivificar também os vossos corpos mortais, pelo seu Espírito que em vós habita" (Rm 8.11).
A busca de Deus pelo homem dá inicio a uma guerra espiritual contra o reino das trevas; o diabo fica totalmente armado (Jo 2:38,29; Mc 1:23,24) e o povo fica numa decisão de submeter-se ou não ao governo de Deus. (Jo 3:1,2; 4:17; Mc 1:14,15). A chegada do Reino de Deus é o começo da destruição de Satanás e do seu domínio (Jo 12:31;16:11; Mt 12:28; Jo 18:36) e do livramento da humanidade das forças demoníacas (Mc 1:34,39; 3:l4,l5; At 26:18) e do pecado (Rm 6).
Para Jorge (1999, p. 443):

O Reino é a realização do projeto de Deus que deseja liberdade e vida para todos, inclusive os oprimidos. O cristão, vivendo a história revelada por Jesus Cristo, deve orientar-se por valores que o levem á fidelidade aos ensinamentos do Mestre, respeitando os sinais do Reino de Deus, valores esses por cuja defesa ele pode até mesmo perder a vida, como sucedeu com o Messias.

Jesus entra no mundo com poder. “Em verdade vos digo que, dos que aqui estão, alguns há que não provarão a morte sem que vejam chegado o reino de Deus com poder” (Mc 9;1). “Porque o reino de Deus não consiste em palavras, mas em poder” (1Co 4.20). O reino, não se constitui em uma “religião humana”, em teorias ou conhecimentos, ele não está vinculado ao domínio social ou político das nações ou reinos deste mundo. Jesus mesmo declara: O meu Reino não é deste mundo; se o meu Reino fosse deste mundo, pelejariam os meus servos, para que eu não fosse entregue aos judeus; mas agora o meu Reino não é daqui (Jo18: 36).
Jesus era a plena encarnação do reino. Seus ensinamentos éticos, por exemplo, não podem ser compreendidos se forem desvinculados do anúncio do reino. Eles traduzem a ética do reino; a perfeição para a qual apontam não faz sentido se o reino não estiver presente. A participação na nova realidade do reino envolve o seguidor de Jesus em um chamado à prática da santidade (Mt. 5.20). Os atos e feitos de Jesus também só fazem sentido dentro do contexto mais amplo da proclamação do reino. Quando João Batista perguntou se Jesus era “Aquele que estava por vir”, ou o Messias, Jesus respondeu enumerando algumas de suas curas milagrosas. Tudo o que Jesus fez está relacionado com Sua declaração de que o Reino de Deus havia descido até a humanidade, através do seu ministério.
Sobre isso Marshall (2007 p. 500) declara:

O reino de Deus é associado com o agente que o proclama, mas também por meio do qual o reino surge. O reino de Deus é proclamado por Jesus, mas, a proclamação em si, tanto em palavra quanto na ação que o acompanha, é a manifestação do reino, o meio pelo qual se realiza. Consequentemente, a questão da identidade de Jesus como agente de Deus é central.

Um fato interessante é que Jesus não define exatamente o que seja o Reino, ele faz comparações com algo palpável como o desenvolvimento do grão de mostarda ou como a ação do fermento na massa. Ele também usa parábolas de crise, que sacodem a consciência, como a figueira estéril e o rico insensato. Essas parábolas apresentam relatos polêmicos sobre “o reino de Deus”, cuja vinda não é tranquila.
Jesus resume seu ministério com a seguinte afirmação: Eu via satanás caindo do céu como um relâmpago (Lc. 10.18), isso significa que Satanás e o mal estão batendo em retirada agora que o reino de Deus fez sua entrada na historia humana. Esta é uma antecipação da era de perfeição que será inaugurada na volta de Cristo. Assim, a resposta à pergunta: O que é o Reino de Deus? Podemos encontrar nas palavras de Jorge, (1999 p. 443) que nos diz:

A resposta vive-se no momento atual histórico - kairós - na tensão entre o ‘já’ e ‘ainda não’, entre a decisão assumida no hoje e a abertura cheia de esperança para a Plenitude. Afinal nosso objetivo é pertencer a Deus, fazer parte do seu Reino de Amor; mas só nos plenificaremos no ‘final feliz’, após o termino de nossa caminhada. Este reino que virá em plenitude, já está presente como o fermento na massa.

Algumas vezes Jesus falou deste reino, referindo-se aos seus membros, por exemplo, na parábola do joio e na das redes (Mt. 13), e também ao lugar ou estado em que os seus membros serão encontrados na vida futura (Mt. 8.11 e 25.34), ou seja, as palavras dos apóstolos se harmonizam ao tratar acerca desses dois pensamentos: a vida presente do povo de Deus na terra e a sua glória futura. Desse modo o reino “não é comida nem bebida”, mas justiça e paz, e alegria do Espírito Santo (Rm 14.17), é um reino em que a “carne nem sangue” não podem herdar (1Co. 15.50), é uma herança vindoura (Gl. 5.21).
Jesus nos ensinou, no Pai Nosso, uma petição a Deus: "Venha o teu Reino, seja feita a tua vontade, tanto na terra como no céu" (Mt. 6:10). Com essa oração Jesus mostra a prioridade que ele deu ao Reino de Deus; assim, podemos inferir que o reino de Deus virá à Terra quando a vontade de Deus for respeitada aqui tal qual ela é respeitada no céu, isto é, quando o mundo visível refletir totalmente o mundo invisível?
Um reino é um lugar onde um rei governa, o Reino de Deus está onde quer que Deus reine sobre as vidas daqueles que lhe estão sujeitos, o Reino de Deus não é visível porque Deus não é visível, é um Reino espiritual, Jesus mesmoo disse: "O Reino de Deus está entre vós" (Lc. 17:21). O Reino de Deus é eterno, no presente momento, um mundo invisível está aqui, em nosso meio. Onde quer que haja aqueles que honrem a Jesus Cristo, o Rei, e onde quer que o Espírito do Rei esteja, lá está o Reino de Deus. 

O REINO DE DEUS E A IGREJA

Em Lucas 22:29-30, enquanto Jesus instituía a Ceia, ele disse aos apóstolos, “Assim como meu Pai me confiou um reino, eu vo-lo confio, para que comais e bebais à minha mesa no meu reino”. De acordo com esse texto a mesa do Senhor está no reino, mas certamente também Ceia está na igreja de acordo co 1 Coríntios 11:17-34. Em Atos 20:28, Paulo disse aos presbíteros de Éfeso que a igreja foi comprada com o sangue de Cristo e Em Apocalipse 5:9-10, Cristo comprou o reino com seu sangue.
Em Mateus 16:17-19 Pedro faz a grande confissão que Jesus é o Cristo, o Filho do Deus vivo; depois Jesus prometeu dar a chaves do reino dos céus a Pedro. As chaves indicam a autoridade de abrir, assim, Pedro havia recebido a autoridade de abrir o reino dos céus. Quando Pedro disse às pessoas o que precisavam fazer para serem salvas, ele estava usando as chaves para abrir a porta para o reino dos céus. No entanto, Atos 2:47 diz que os salvos foram acrescentados à igreja. A partir desses fatos e de acordo com Mateus 16:18-19 podemos concluir que a igreja e o reino são dois aspectos da mesma instituição. Sobre essa questão Hiram Hutto declara:

E. C. Coffman chama nossa atenção aos seguintes assuntos, para mostrar que o reino e a igreja são a mesma entidade, apenas vista de maneiras um pouco diferentes: 1. Não há diferença entre o “governador” e autoridade – Cristo é a cabeça da igreja (Cl 1:18) e Cristo também é o rei do reino (At 17:7; Ap 1:5); 2. Não há diferença em como entrar: pessoas que nascem da água e do Espírito entram no reino (Jo 3:3-5). É assim que uma pessoa entra na igreja (1 Co12:13); 3.  Ambos se estabeleceram ao mesmo tempo: a igreja em Atos 2:16-17, 47; o reino em Atos 2:30-36 e 4. Foram estabelecidos no mesmo lugar: Jerusalém (Is 2:3) a igreja, que é a casa de Deus (1 Tm 3:15; At 2:5, 30-33).

O SÚDITO DO REINO DE DEUS.

Dois termos bíblicos importantes aparecem na pregação de João e também na dos outros apóstolos, e principalmente na pregação do próprio Jesus: arrependimento e conversão. A condição necessária e fundamental para entrar no Reino de Deus é: “Arrependei-vos e crede no Evangelho de Cristo” (Mc 1:15). Arrependimento e conversão aparecem separados como fases sequentes no apelo de Pedro: “Arrependei-vos, pois e convertei-vos” (At 3.9). O arrependimento precede a entrega, e esta marca o inicio da conversão.
Jesus falou do reino como algo em que se pode entrar, como se estivesse cruzando a fronteira de um país, sendo o passaporte o espírito semelhante ao de uma criancinha (Mc 10.15) e afirmou ainda que, mediante o novo nascimento se pode ver o reino de Deus (Jo 3.3). O crente busca diligentemente o Reino de Deus, em todas as suas manifestações, tendo fome e sede pela presença e pelo poder de Deus, tanto na sua vida como na sua comunidade (Mt. 5:10; Mt. 6:33). Segundo Marshall (2007, p.500), A proclamação do reino desafia os ouvintes a responderem positivamente a mensagem, e isso envolve o discipulado de Jesus e o compromisso total para com ele.
Marshall também declara que: “O reino de Deus impõe um modo de vida aos que nela entram” para ele “Mateus em especial sistematiza o ensino de Jesus sobre como as pessoas devem viver”. Em Mateus 11:12 Jesus revela fatos sobre a natureza dos membros do Reino de Deus, Ele disse que somente quem se esforça apodera-se do Reino de Deus, estes, movidos pelo próprio Deus, resolvem romper com as práticas do pecado, e seguem a Jesus Cristo, a Sua Palavra e seus justos caminhos, não importando o preço a pagar, esses decididamente buscam o Reino de Deus com todo o seu poder.
O sermão de Jesus registrado por Mateus, conhecido como Sermão do Monte, tem sido considerado por muitos estudiosos da Bíblia como a ética do Reino. Vale salientar que esse sermão não consiste em uma nova lista de mandamentos como o decálogo, mas sim de uma descrição clara e simples de como devem viver as pessoas que entram no reino de Deus, ou seja, Jesus apresentou as qualidades morais que deveriam acompanhar as pessoas que desejassem se tornar súditos e dignos de pertencer ao Seu reino. Essas bem-aventuranças seriam, então, as condições essenciais para quem quiser o direito de cidadania ao Seu Reino.
            No texto de Marcos 4.30-32 Jesus compara o reino de Deus a um grão de mostarda, nos fazendo lembrar que “quando se semeia, é a menor de todas as sementes que há na terra; mas, tendo sido semeado, cresce e faz-se a maior de todas as hortaliças e cria grandes ramos, de tal modo que as aves do céu podem aninhar-se à sua sombra”, assim, Jesus nos mostra que o reino dos céus alcançaria grande extensão mundial e para que isso aconteça depende da fé (Mt 17.20) de cada cristão para pregar a mensagem da cruz, crescer e se multiplicar proporcionando aos desalentados alimento e abrigo.
Ainda em Mateus 13:47-50 ele nos diz “Igualmente o reino dos céus é semelhante a uma rede lançada ao mar, e que apanha toda a qualidade de peixes e, quando cheia, puxaram-na para a praia; e, sentando-se, puseram os bons em cestos; os ruins, porém, lançaram fora. Assim será no fim do mundo: sairão os anjos, e separarão os maus dentre os justos, e lançá-los-ão na fornalha de fogo; ali haverá choro e ranger de dentes”. Sua intenção com tais palavra é advertir que grandes e pequenos peixes podem vir numa pesca, mas Deus escolhe os melhores e, aquele que não serve para a alimentação é jogado fora, ou seja, haverá um julgamento e a consequente separação entre bons e maus, os maus irão para o sofrimento e os bons para o descanso eterno.
Jesus se utilizou de muitas parábolas, além das acima citadas, para ensinar sobre o reino de Deus; em todas elas Jesus está se dirigindo aos que sentem o desejo do conhecimento da Sua Palavra. Aqueles que estão dispostos a entregarem suas vidas para Ele no altar, e testemunhar o Evangelho -“o Seu reino na terra”, mostrar para o mundo e fazê-lo conhecido. Vivendo como príncipe, herdeiro das coisas celestiais.
Em outras palavras, pertencer ao Reino de Deus e desfrutar de todas as suas bênçãos requer esforço sincero e constante. Um combate de fé, aliado a uma forte vontade de resistir a Satanás, ao pecado e a sociedade perversa em que vivemos, ou seja, não conhecerão o Reino de Deus, aqueles que concordam com o mundo de pecado, que negligenciam a Palavra, e tem pouca fome espiritual. Devemos seguir o exemplo de seus servos: José (Gn 39:9), Natã (2 Sm 12:17), Elias (I Rs 18:21), Pedro, João (At 4:19:20), Paulo, Estevão, Éster, Maria, Ana, Lídia e tantos outros.

OS MISTÉRIOS DO REINO DE DEUS.

Jesus mesmo dizia: Eis que é chegado a vós o Reino de Deus. Os fariseus perguntaram para Jesus, quando havia de vir este dia. Ele respondeu: O Reino de Deus não vem com aparência exterior… (Lucas.17:20,21). O Reino de Deus é invisível aos olhos humanos, “é um Reino espiritual”. Somente verão aqueles que entregaram suas vidas para o Senhor Jesus, que entraram neste Reino para vencer o reino das trevas neste mundo, vencer o pecado, vencer Satanás. São mistérios da Palavra que estão encobertos para o homem natural, e que o Espírito Santo revela, para todos que crê, no Evangelho de Cristo Jesus, e O tem como Senhor de suas vidas. O mistério do Reino de Cristo, em nossa geração, é espiritual, pela fé no Senhor Jesus.
Os evangelhos nos mostram como Jesus foi, aos poucos mudando a ideia do reino, transferindo-a do seu aspecto material para o espiritual. O Novo testamento, nos mostra também como Jesus, pela sua vida, ensinos, morte e ressurreição, estabeleceu a base sobre a qual esse reino de Deus, no seu sentido espiritual poderia tornar-se conhecido aqui na terra. Não há duvida alguma de que o reino de Deus, no que diz respeito à terra, seja ainda futuro em sua realização plena. Porém no que diz respeito ao governo soberano do criador sobre todo o Universo, esse reino é eterno, pois abrange o eterno passado, o presente e o eterno futuro.
Chamando nossa atenção para esta verdade Jesus mesmo declarou: “Se alguém disser: Eis que Cristo está aqui, ou acolá, não acrediteis, não vai, porque o Reino de Cristo está dentro de vós (no coração, na mente). Sua vida está em mim… Ou em vós”.  A Palavra nos alerta que surgirão muitos falsos profetas, pastores, e cristãos no meio da Igreja. (Lc 18:9). O Reino de Deus é invisível, é espiritual e Celestial. Portanto, não esperais que todos vejam com olhos humanos O Reino de Deus. Somente verão, com os olhos da fé, aqueles a quem o Espírito Santo revelar, somente aqueles que tem o Espírito de Cristo, em seu caráter.

CONCLUSÃO

            Jesus veio ao mundo implantar o reino de Deus, como a verdadeira luz para iluminar o caminho da salvação. A vida espiritual está essencialmente ligada à luz e as trevas, ao bem ou ao mal, ao certo ou errado. A situação de cada pessoa está diretamente relacionada à posição que ela se encontrada em relação ao Senhor Jesus. Ou ela se encontra nas trevas, se estiver afastada de Deus; ou se encontra na luz, se estiver em comunhão com Deus.
João foi escolhido por Deus para preparar o caminho do Senhor (Is 40.3) e ele não só proclamou a chegada do libertador, exortando os homens ao arrependimento dos seus pecados, como condição para recebê-lo, mas também profetizou acerca de sua obra redentiva quando o apresentou como “O Cordeiro de Deus que tira o pecado do mudo”, assim, arrependimento é palavra chave no discurso de João como condição primária para entrar no reino dos céus. Cabe a nós, servos seus e súditos desse reino a responsabilidade de anunciar as boas novas de salvação a fim de trazer aqueles que farão parte desse reino juntamente conosco.
Diante de tudo que foi exposto entende-se, pois, que o “reino dos céus” foi inaugurado aqui na terra pelo Senhor Jesus. É o reino Messiânico. O reino é o grande objetivo das profecias e a esperança final de todos os redimidos pelo sangue de Jesus.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

·         YOUNGBLOOD, Ronald Y, R. K. Harrison e F. F. Bruce. Dicionário Ilustrado da Bíblia. São Paulo. Editora Vida Nova. 1ª edição, 2004.

·         CARSON, D. A. Comentário Bíblico Vida Nova. Editora Vida Nova. 1ª edição, 2009.
·         DOCKERY, Davd S. Manual Bíblico Vida Nova. São Paulo. Editora Vida Nova, 2001.
·         SANTOS, João batista Ribeiro santos. Dicionário Bíblico: conhecendo e Entendendo a Palavra de Deus. São Paulo. Editora Didática Paulista, 2006.
·         JORGE, José Antonio. Dicionário Informativo, bíblico, teológico e litúrgico, com aplicações prática. Campina-SP. Editora Átomo, 1999.
·         MARSHALL, I. Howard. Teologia do Novo Testamento: Diversos Testemunhos, um só Evangelho. São Paulo. Editora Vida Nova, 2007.
·         RANGEL, Nilza. O Reino de Deus. Disponível em  http://estudosbiblicosonline.com.br/?p=3, acesso em 12/11/2012
·         HUTTO, Hiram. O que é o reino? Disponível em http://www.estudosdabiblia.net/2003217.htm, acesso em 12/11/2012.



segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

JESUS x PAPAI NOEL

Vi alguns trechos do filme Natal SA, fiquei chocada com algumas falas em relação às pessoas deixarem de acreditar no em papai noel, como por exemplo "A cada ano mais e mais pessoas deixam de acreditar em papai noel, se não fizermos nada nós vamos acabar (referindo aos duendes e ao Polo Norte) e o natal também". Isso é um um absurdo, o Natal acabar porque as pessoas deixam de acreditar em papai noel, sem contar que todo o filme traz uma imagem de onipotência para essa figura inexistente, outro grande absurdo. Essas pessoas é que estão certas, na verdade elas nunca deveriam ter acreditado, pois ele não existe mesmo, é apenas uma criação para incentivar o consumismo e para tomar o lugar de Jesus no coração das pessoas, este sim, Jesus Cristo, deve ocupar totalmente o nosso coração e mente pois o natal existe por causa dele que nasceu para morrer em nosso lugar e nos trazer o perdão dos nossos pecados tornando-se o nosso Senhor e Salvador.
Sem contar que acho uma atitude sem propósitos alguém trabalhar o ano inteiro, se esforçar, comprar um presente para o filho e dizer que foi o papai noel que enviou, alguém que nem sequer existe.

"Ela dará à luz um filho e lhe porás o nome de Jesus, porque ELE salvará o seu povo dos pecados dele" (Mateus 1.27).

PENSEM NISSO!!!!!!!

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

LEI E GRAÇA: OPOSTO ENTRE SI?

Seminário Teológico do Betel Brasileiro e Ação Evangélica
Curso: Superior em Teologia
Semestre: 2012.1
Disciplina: Análise de Romanos
Professor: Gildelânio da Silva
Aluna: Umbelina Rodrigues de Sousa


  
 LEI E GRAÇA: OPOSTOS ENTRE SI?

1. INTRODUÇÃO

Sempre que se pede para alguém definir a relação entre a lei e a graça, quase que involuntariamente, a resposta tem sido a seguinte: Lei é do Antigo Testamento e Graça é do Novo Testamento. Essa atitude tem sido uma prática muito comum ainda hoje. Com base nesse pensamento, muitos se perguntam: Estamos vivendo sob a lei ou sob a graça?
Esse questionamento denota um entendimento equívoco das verdades bíblicas acerca desse assunto, que se dá devido a estudos realizados de forma apressada e sem profundidade. Uma leitura isolada, fora do contexto, de textos bíblicos que tratam do assunto em pauta certamente levará o leitor a entender lei e graça como conceitos opostos entre si.
A falta de conhecimento leva-nos muitas vezes a defender heresias; uma delas, referente ao assunto em questão, é o antinomismo - a negação da lei em função da graça. Nessa visão, a lei não exerce nenhuma influência sobre o cristão, o seu coração torna-se o seu guia e a lei é dispensável. O oposto dessa posição é o neonomismo - a disposição de ressaltar a lei em detrimento da graça, também muito conhecida como legalismo. Aqui, o objetivo da obediência é agradar a Deus para conseguir mérito diante d’Ele e não um fruto da sua graça e do seu amor em nossas vidas. Contra essa ideia lutou a Reforma Protestante enfatizando a sola gratia, um dos cinco pilares na defesa ao Cristianismo.
Sobre isso Mauro Meister (1999, p. 1) registra:

No século XIV, os católicos acusavam os reformadores de antinomistas de serem contrários à lei de Deus. Até mesmo o grande reformador matinho Lutero expressou sua preocupação quanto a alguns de seus seguidores que, em seu zelo de proclamar a graça por tanto tempo desprezada pela igreja, acabavam por desprezar a lei.

O legalismo, abordado por Paulo, em alguma de suas cartas diminui a graça de Deus, pois prega a busca da salvação por meio da prática religiosa e das obras da lei, fazendo-as participantes de nossa aceitação diante de Deus, justamente com os méritos de Cristo. Paulo insistia contra isso e ensinava que a salvação se dá somente pela graça, em Cristo, através da fé (Efésios 2.8-9). Associar boas obras ao que Cristo fez, para obter o favor de Deus, invalida a graça, diminui o sacrifício e a pessoa de Cristo e nos afasta da vida eterna.
Do outro lado, o maior erro do antinomismo é transformar “em libertinagem a graça de nosso Deus” (Judas 4). Enquanto o legalista exalta a lei a ponto de excluir a graça, o antinomiano é deslumbrado pela graça e renega a lei, como uma regra de vida e, argumenta: visto que já libertos da lei (Romanos 7:6) e não estando mais debaixo dela, e sim, da graça (Romanos 6:15), não importa que tipo de vida os crentes levem pois eles já receberam o perdão permanente de Deus.
O que pensamos sobre essa relação entre a lei e a graça vai definir o modo como enxergamos a vida cristã e, que tipo de ética assumiremos em nossa vida prática. Ao escrever este texto pretendo mostrar que, mesmo no Antigo Testamento, com o cumprimento da lei e dos rituais instituídos por Deus, a Sua Graça se manifestava e os homens foram salvos por ela somente, através da fé, mas isso não exclui de modo nenhum as leis dadas por Deus para que as cumpramos, assim, procuremos entender o papel da lei em nossas vidas e a benção de obedecê-la desfrutando da Graça de Deus.

2. A FUNÇÃO DA LEI

Antes de verificarmos a função da lei em nossas vidas, vamos passear um pouco pela Teoria das Alianças trabalhada pela Confissão de Fé de Westminster para explicar a maneira que Deus adotou para se relacionar com as pessoas. Essa teoria divide a aliança de Deus com o homem em duas, Aliança das Obras e Aliança da Graça, assim, comecemos por esclarecer essas alianças e qual o conceito de lei nelas envolvido.
A Aliança das Obras é o pacto existente antes da queda. Adão e Eva viviam originalmente debaixo desse pacto e dependiam da obediência à lei dada por Deus em Gênesis 2.17: não comer da árvore do conhecimento do bem e do mal. Adão e Eva desobedeceram e, como consequência, receberam a morte, maldição da Aliança das Obras. A Aliança da Graça é a manifestação misericordiosa de Deus, aplicando Jesus Cristo à maldição da primeira aliança, através do seu sacrifício vicário, fazendo com que parte da sua criação, antes representada em Adão, e agora representada por Cristo, fosse redimida.
Sobre a teoria das alianças Virkler (2001, p.99) afirma:

Outra teoria que enfoca a continuidade antes da descontinuidade na história da salvação é a das alianças do pacto. Os teólogos das alianças veem toda a história bíblica coberta por duas alianças, uma das obras até a queda uma da graça desde a queda até o presente. A aliança das obras é o acordo de Deus com Adão, que pela obediência recebia vida e pela desobediência a morte. A aliança da Graça é o acordo de Deus com o pecador, este recebe vida pela fé e promete uma vida de fé e obediência.

Algumas acusações são feitas a esta teoria, uma delas é que ela considera o Antigo e o Novo Testamento sob a aliança da graça apenas, mesmo com os diversos versículos que indicam a presença de duas alianças. Outra acusação é que a teoria das alianças chega muito próximo da ideia dispensacionalista, visto que o Antigo testamento faz menção a várias alianças. Mas, os que a defendem reúnem todas as alianças do Antigo Testamento sob o título mais geral de Aliança da Graça, para eles a próxima aliança vem para apresentar mais detalhes da Aliança da Graça, visto que as pessoas foram chamadas, justificadas e aceitas na família de Deus pela graça a partir da queda.
Devemos observar que a lei, antes da queda, não se resume à ordem de não comer do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal. Observe os que verbos no imperativo que aparecem nas expressões: sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e dominai-a em Gênesis 1.28 indicam ordens, ou seja, leis dadas por Deus para Adão e Eva cumprirem. O relacionamento de Adão com o Criador estava ligado à obediência, mas não só isso, o relacionamento deveria ser de maneira tal que nele, Deus fosse glorificado e ele mesmo tivesse alegria em servi-lo.
Para que o seu relacionamento com o Criador se mantivesse, o homem deveria ser obediente cumprindo o propósito para o qual foi criado. O ser humano, desde o princípio, conheceu os propósitos de Deus através da lei, ao desobedecê-la tornou-se réu da mesma o qual recebeu a morte por castigo, ou seja, a separação, o relacionamento foi quebrado.
O que acontece com a lei depois da queda e da desobediência? Ela tem o mesmo papel? Ela possui diferentes categorias? Por que Deus continuou a revelar a sua lei ao ser humano caído?

3. o que é a lei de deus?

A revelação da lei de Deus que demonstra a sua vontade encontra-se registrada nas páginas na Bíblia. Essa lei foi revelada e registrada ao longo do tempo e possui diferentes áreas de atuação. Assim, é importante observar o contexto em que cada lei é dada, a quem é dada e qual o seu objetivo, só assim poderemos entender o conceito de lei.
A lei, apresentada na Bíblia, é dividida por muitos estudiosos em três aspectos, quais sejam: lei moral, lei civil e lei cerimonial. Cada uma tem uma função e um tempo para sua aplicação, ou seja, a Lei Civil representa a legislação dada à nação de Israel e define os crimes contra a propriedade e suas respectivas punições; a Lei Cerimonial representa a legislação levítica do Velho Testamento ela ordena os sacrifícios e todo o simbolismo cerimonial e a Lei Moral representa a vontade de Deus para o ser humano ditando seu comportamento e principais deveres.
Sobre a aplicabilidade da lei Solano Portela (1993) afirma

Quanto à aplicação da Lei, devemos exercitar a seguinte compreensão: A Lei Civil tinha a finalidade de regular a sociedade civil do estado teocrático de Israel. Como tal, não é aplicável normativamente em nossa sociedade. A Lei Religiosa tinha a finalidade de transmitir aos homens a santidade de Deus e apontar para o Messias, fora do qual não há esperança. Como tal, foi cumprida com sua vinda. A Lei Moral tem a finalidade de deixar bem claro ao homem os seus deveres, revelando suas carências e auxiliando-o a discernir entre o bem e o mal. Como tal, é aplicável em todas as épocas e ocasiões.

É de suma importância que, ao ler o texto bíblico, saibamos identificar a que tipo de lei o texto se refere e identificar a sua aplicabilidade em nossos dias. As leis civis e cerimoniais de Israel não têm um caráter normativo para o povo de Deus hoje, ainda que tenham função de ensinar princípios gerais sobre a justiça de Deus. Mas, a lei moral de Deus permanece válida em nossa e em todas as épocas. Ela valeu para Adão assim como vale para nós hoje. Assim, voltemos à questão levantada anteriormente e tentemos buscar a resposta.

4. ESTAMOS SOB A LEI OU SOB A GRAÇA DE DEUS?

Interpretações errôneas podem levar a um entendimento falho dos textos bíblicos de que “não estamos debaixo da lei, e sim da graça” (Romanos 6.14). Se entendermos que os três aspectos da lei de Deus vistos anteriormente são distinções bíblicas, de acordo com Solano Portela (1993) podemos concluir que:

Não estamos sob a Lei Civil de Israel, mas sob o período da graça de Deus, em que o evangelho atinge a todos os povos. Não estamos sob a Lei Religiosa de Israel, que apontava para o Messias, cumprida em Cristo, e não nos obriga à nenhum de seus rituais, uma vez que estamos sob a graça do Evangelho de Cristo, com acesso direto ao trono, pelo seu Santo Espírito, sem a intermediação dos sacerdotes. Não estamos sob a condenação da Lei Moral de Deus, se fomos resgatados pelo seu sangue, e nos achamos cobertos por sua graça. Olhando através desses pontos de vista de fato, não estamos, portanto, sob o domínio da lei, mas sob a graça de Deus. Entretanto, Estamos sob a Lei Moral de Deus, no sentido de que ela continua representando nossos deveres diante de Deus e do nosso semelhante. Estamos sob a Lei Moral de Deus, no sentido de que ela representa o caminho traçado por Deus no processo de santificação efetivado pelo Espírito Santo em nossas vidas (João 14.15). a Lei Moral de Deus é uma expressão de sua graça representando a revelação objetiva e proposicional de sua vontade.   

A afirmação de Paulo de que o Cristão não está “debaixo da lei, e sim da graça” (Romanos. 6.14) poderia implicar que não há mais regras às quais o cristão deva obedecer, e nenhuma pena para qualquer pecado que ele cometer. A resposta de Paulo é semelhante ao seu ensino nos versos 3-11: o pecado habitual manifesta um estado de escravidão (v. 16), um estado do qual todo cristão foi liberto (Romanos. 6.17,18).
Paulo mostra que os cristãos, libertos da lei mosaica, estão, mesmo assim, vinculados por um código de autoridade, regras de conduta semelhantes em alguns aspectos à da lei mosaica. Ser livre do pecado, segundo Paulo, não significa que os cristãos são autônomos, que vivam sem mestre ou sem qualquer obrigação, ou seja, significa uma nova escravidão, mas desta vez à justiça (Romanos 6.18,19) e a Deus (Romanos 6.22).
Falando sobre isso Virkler (2001 p.95,98) registra:

Lutero acreditava que para uma adequada compreensão da Bíblia devemos distinguir com cuidado entre duas verdades paralelas e sempre presentes: a Lei e o Evangelho. [...] Ambos os aspectos da natureza de Deus existem lado a lado, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento. A lei reflete a santidade do caráter de Deus. A graça é a resposta divina ao fato de que o homem nunca pode satisfazer ao padrão de santidade exigido pelo Senhor. Para os teólogos luteranos a Lei e o evangelho revelam dois aspectos integrantes da personalidade de Deus: sua santidade e sua graça. Assim eles veem a lei e o Evangelho como partes inseparáveis da história da salvação, desde o relato do pecado da Adão e Eva até o encerramento do milênio. [...] A posição luterana acentua com vigor a continuidade. Deus continua a responder ao homem com a Lei e com a Graça como tem feito desde o começo da história humana. A Lei e Graça são duas épocas diferentes no trato de Deus com os homens mas partes integrantes  de todo o seu relacionamento.

Assim, o papel da lei é reprimir os transgressores para evitar que o mal se expanda perante a sociedade. A lei serve também como um mediador, um condutor a Cristo, segundo as palavras de Paulo em Gálatas 3.24: “... de maneira que a lei nos serviu de aio para nos conduzir a Cristo, a fim de que fôssemos justificados por fé”.
Deus expressa sua vontade na sua lei e essa se torna um prazer para o crente e o crente procurando melhor servir ao seu Senhor empenha-se em conhecer a sua vontade através da lei que foi dada. Para o nascido de novo, que conheceu a graça de Cristo, a lei é prazer, produz respeito, restaura a alma e lhe dá sabedoria; embora, ele seja conduzido pelo Espírito Santo, vivendo e dependendo tão somente da sua graça, a “lei é o melhor instrumento mediante o qual melhor aprendam cada dia, e com certeza maior, qual seja a vontade de Deus, a que aspiram, e se lhes firme na compreensão.” (As Institutas, 2.7.10, apud Meister, 1999 p.7). 
O que seria do cristão sem a lei para orientá-lo? Como ele conheceria a vontade de Deus? Ele seria um perdido, buscando respostas em seu próprio coração, na igreja e/ou na autoridade de alguém que considerasse superior. Mas o crente tem a lei de Deus, que expressa claramente qual é o desejo do Criador para a criatura, qual o desejo do Pai para seus filhos.
Mas essa visão da lei não nos traz de volta ao legalismo? Estamos então novamente debaixo da lei? Certamente que não. Para bem entendermos a lei na Aliança da Graça, precisamos entender também como se dá a relação de Cristo com a Lei.
De acordo com em Mateus 5.17-19 aprendemos que Jesus veio cumprir a lei e não revogá-la - Cristo cumpriu a lei de forma perfeita, sendo obediente até a morte e Ele não só cumpriu a lei perfeitamente, mas também a interpretou de forma perfeita, permitindo aos salvos por Ele, entendê-la de forma completa. A justificação que estava associada à lei agora pertence plenamente a Cristo.
Os ensinamentos éticos de Jesus não representam uma separação radical da lei, eles são uma extensão natural dos dois maiores mandamentos que são primeiramente encontrados na lei: "Amarás, pois, o Senhor teu Deus com todo o teu coração" (Deuteronômio 6:5) e "amarás o teu próximo como a ti mesmo" (Levítico 19:18). A grande diferença entre a lei e o evangelho não se encontra em suas respectivas exigências éticas, mas na morte sacrifical Jesus Cristo.
Paulo ensina que a verdadeira liberdade só pode ser obtida em um relacionamento com o Deus que nos criou. Por meio do nosso relacionamento com Cristo em sua morte, nós cristãos morremos para a lei, isto é fomos libertados de seu domínio (Romanos 6.2).  Portanto, nossa obediência à lei não acontece e não pode acontecer sem Cristo. Tentar viver debaixo da lei, sem Cristo, é submeter-se à escravidão. Porém, obedecer à lei com Cristo é prazer e vida para o verdadeiro cristão (Romanos 6.17).

5. CONCEITO DE GRAÇA

Para alguns a lei e a graça são conceitos que revelam aspectos opostos acerca de Deus, enquanto que a lei no Antigo Testamento mostra sua severidade, a graça revela seu amor no Novo Testamento; no entanto, podemos perceber que a graça e o evangelho de Deus aparecem no Antigo Testamento também. Pois este foi pregado a Moisés (Hebreus 4.1-2), a Abraão (Gálatas 38-9), dentre outros. Paulo nos diz, em outra de suas cartas, que Abraão e Davi foram exemplo de homens justificados pela fé (Romanos 4.3-6); esses homens esperavam o cumprimento do Evangelho como nós o fazemos, que olhando para o passado vemos sua realização em Cristo. É bem verdade que os crentes do Antigo Testamento não entendiam o Evangelho com a clareza que entendemos hoje, mas eles tinham fé na provisão da sua reconciliação com Deus e por isso alcançou a redenção d’Ele.
A lei e a graça de Deus são reveladas no Antigo Testamento, um não exclui o outro, mas se complementam entre si, na função de revelar a vontade de Deus. A salvação, tanto no Antigo Testamento como no Novo, é fruto de um Deus de misericórdia e não de esforços humanos, sempre se creu na provisão de um sacrifício como base para a salvação.
Mas afinal o que é a graça de Deus? É muito comum ouvirmos na igreja a seguinte definição: “Graça é o favor imerecido que Deus concede ao homem”. Esta definição é verdadeira, porém incompleta, pois ela descreve apenas a graça de Deus para como o homem, e enfatiza que sua graça salvadora é livre.
No sentido mais amplo da palavra, graça é um atributo divino, ele faz parte do caráter de Deus, demonstrada por Ele através da bondade para com o pecador que não merece o seu favor. Visto que a graça faz parte do caráter de Deus, Ele de modo espontâneo a concede à humanidade pecadora a fim de garantir-lhe o perdão dos pecados e a salvação.
A palavra graça também significa encanto ou beleza, principalmente um encanto ou beleza interior, que se evidencia em tudo que uma pessoa faz e diz. Assim, quando dizemos que Deus é gracioso, queremos dizer que ele é belo e encantador em tudo que ele é e em tudo que ele faz e que sua beleza brilha em todas as suas ações e palavras.
A Graça de Deus está presente no Antigo Testamento. Deus não concedeu Seu amor e graça a Israel por merecimento. Deus escolheu Israel para que fosse o seu povo através de um ato de legítima graça (Deuteronômio 7.6-9). A graça e a misericórdia foram manifestadas a nações inteiras; pela graça de Deus Nínive foi poupada da destruição quando demonstrou arrependimento de seu pecado com a pregação de Jonas.
No Novo Testamento a graça de Deus assume uma nova dimensão se tornando evidente ao ser humano nas palavras e obras de Jesus Cristo. A salvação de homens pecadores é a maior prova da graça de Deus, foi Ele mesmo que, em Sua bondade e graça, decidiu providenciar a salvação para o homem após a queda.
Deus não precisa de nós para ser gracioso? É inerente a Ele ser gracioso, e seria mesmo que não tivesse decidido salvar ninguém, mas Ele decidiu salvar, o que é algo esplendidamente maravilhoso e o motivo pelo qual deveríamos ser gratos constantemente.

6. CONCLUSÃO

Como fica então o aparente contraste entre a Lei e Graça? Como corrigir essa visão distorcida?
A relação lei e graça envolve diversos aspectos. Primeiramente, encontramos tanto no Antigo quanto no Novo Testamento, a graça de Deus. Ele não reserva a sua graça somente para o período do Novo Testamento como muitos pensam. Nenhuma pessoa do Antigo testamento foi salva pela obediência à Lei, ainda que o Senhor requeresse deles, como também requer de nós, que sejamos obedientes.
Em segundo lugar, a lei opera para vida ou para a morte na aliança das obras e somente para a morte na aliança da graça. Na aliança das obras, pela obediência o homem poderia continuar vivo. Na aliança da graça a lei opera para condenação do homem caído. Porque o homem já está condenado, ele não pode mais cumprir a lei e ela lhe serve para a morte.
Por último, o crente se beneficia da lei estando debaixo da obra redentora de Cristo. O mérito de Cristo, sendo obediente à lei até as últimas consequências, nos traz a salvação e o privilegio de conhecermos a vontade de Deus pela sua lei. O único modo de o ser humano ser salvo é submeter-se totalmente àquele que outorgou-lhe a salvação por seu sacrifico, mas ainda aqui o homem é favorecido, não salvo pela Lei, pois Cristo cumpriu a lei e declarou justificado aquele por quem ele morreu.
É um erro considerar que em primeiro lugar foi exposta a lei e depois a graça, visto que a graça de Deus tem se manifestado salvadora a todos os homens, desde os tempos eternos Cristo é Cordeiro de Deus, morto antes da fundação do mundo (1 Pedro 1:19 -20). A graça de Deus é antes da lei, manifestada para suprir a necessidade dos homens em todas as épocas. Mas digo isto: Que tendo sido a aliança anteriormente confirmada por Deus em Cristo, a lei, que veio quatrocentos e trinta anos depois, não a invalida, de forma a abolir a promessa (Gálatas 3.17).
Concluo então com o que disse Smalling (2012 p. 7): A graça salvadora é um favor de Deus não merecido por nós. É soberana e depende exclusivamente da vontade de Deus.[...] A graça é oposta ao mérito. A graça é a causa única da salvação, portanto esta não se baseia em nenhuma contribuição humana.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFCAS

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- LUTERO, Martinho. Nascido Escravo. Editora Fiel, 2009.
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- PORTELA, F. Solano, Pena de Morte - Uma Avaliação Teológica e Confessional,
disponível em http://www.monergismo.com/textos/etica_crista/aspectos_pena_morte_solano.htm  acesso em 07/04/2012.
PACKER, J. I. A Graça e a Lei, disponível em
http://www.monergismo.com/textos/lei_evangelho/graca_lei_packer.htm, acesso em 07/04/2012.
LEVY, David M. Glória da Graça de Deus. Disponível em
http://www.chamada.com.br/mensagens/gloriosa_graca.html, acesso em 29/05/2012.
SMALLING, Roger L. O que é a graça, disponível em
http://www.monergismo.com/textos/graca_irresistivel/o-que-e-graca_smalling.pdf, acesso em 29/05/2012.
- HANKO, Ronald. A Graça de Deus Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto. Disponível em http://www.cprf.co.uk/languages/portuguese_graceofGod.htm, acesso em 29/05/2012.